20 anos do MTST: a luta é para valer!

Nesse último fim de semana, ocorreu em uma escola pública de Embu das Artes o terceiro encontro nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST). A ocasião marcou o aniversário de vinte anos do movimento que vem abalando as cidades, com suas lutas por moradia e justiça social.

Surgido no ano de 1997, em Campinas, como uma forma de atuação do MST nas cidades, o MTST veio à cena para enfrentar as consequências do neoliberalismo: o desemprego, a especulação imobiliária, a lógica da cidade excludente, a reestruturação do mundo do trabalho, dentre outros fatores que criaram o caldo que permitiu o fortalecimento dessa fileira da luta daqueles que não possuem teto.

Desde o início, o MTST guardou autonomia frente a partidos e governos, ainda que se relacionasse com as forças progressistas em torno das lutas em comum. Nos anos 2000, duas ocupações próximas de São Paulo passaram a dar notoriedade maior ao MTST. São elas Chico Mendes (2005) e João Cândido (2007), as duas em Taboão da Serra.

Junho de 2013 foi outro grande marco. As manifestações tiveram como centro justamento a questão urbana. O aumento do preço do transporte público foi o gatilho, ao passo que a ausência de direitos, em especial o direito à cidade, engrossava o coro das reivindicações. É possível dizer que ao lado do MPL, o MTST foi um dos grupos participantes mais ativos. Seu relevo também cresceu com os atos.

Muitas ocupações se seguiram. A luta dos sem-teto se enraizou na periferia de São Paulo: Nova Palestina e Novo Pinheirinho, na Zona Sul, e a Copa do Povo, na zona leste, são grandes referências por ter mobilizado muita gente.
O coordenador nacional do movimento, Guilherme Boulos, estima que na trajetória do MTST cerca de vinte mil casas populares foram conquistadas. Sem dúvida, há muito o que se conseguir.

O avanço da crise econômica e dos processos de gentrificação urbanos tem feito com que cresça o número de trabalhadores sem casa e emprego. São justamente essas pessoas que não veem alternativa a não ser se organizar e lutar. Nesse esteio, surgiu uma grande ocupação em Guarulhos e, mais recentemente, um mar de gente e barracos tomou um terreno há 40 anos desocupado em São Bernardo do Campo: mais de seis mil famílias.

Essa luta em SBC merece destaque por ter se tornado emblemática. Sediada numa cidade com incrível histórico de mobilizações populares, essa ocupação tem quebrado expectativas e o poder da especulação imobiliária. Vinte mil pessoas marcharam por 23 Km de SBC até o Palácio dos Bandeirantes para negociar a situação do terreno. O governo Alckimin, acuado, abriu um canal de comunicação. O poder de pressão das elites local e estadual ia no sentido de que houvesse reintegração de posse sem resolução efetiva do problema daquele povo que não tem casa. A reintegração não só caiu, como foram conquistados quatro meses para se encontrar uma saída que intesse aos trabalhadores. Devemos focar e fortalecer essa luta.

A Frente Povo Sem Medo desde 2015 vem tomando as ruas por direitos e mudança social. Congregando uma gama de movimentos sociais, centrais sindicais e partidos de esquerda, ganhou imensa notoriedade na luta contra o golpe de Temer e na resistência contra a retirada de direitos e desmonte do Estado nacional.

Todo esse enredo foi visto no encontro do último fim de semana, em que dezenas de militantes de 14 estados participaram. No sábado, ocorreu um ato político de celebração com várias lideranças. Estivemos presentes, aonde pudemos saudar o movimento e colocar nosso mandato e o PSOL lado a lado das lutas dos sem-teto. A solidariedade internacional foi demonstrada com a criação da Frente de Resistência Urbana pelos Territórios para a Vida Digna e o Bem Viver, que reúne movimentos de moradia de vários países da América Latina.

No dia seguinte, domingo, outro grande momento. Mais de vinte mil pessoas foram ao Largo da Batata, na capital paulista, acompanhar o show em comemoração aos vinte anos, com Caetano Veloso, Criolo, Péricles, Maria Gadu, Sônia Braga e muitos outros artistas e lideranças. O show veio bem a calhar nesse fim de semana, após a justiça ter vetado que o mesmo ocorresse na ocupação Povo Sem Medo em São Bernardo do Campo.

Como diz Milton Nascimento, se já vale o feito, mais vale o que será. Há uma mar de desafios e possibilidades para os que lutam. A frente Povo Sem Medo lançou a plataforma Vamos! para criar um programa de transformação do Brasil e agitar a formação ao lado do trabalho de base. Esse programa nos guiará. 2018 promete! Ano eleitoral e de muita mobilização. A frente e o MTST, ao lado de milhares de lutadores e lutadoras do povo, saberão seguir o caminho do fortalecimento da mudança do país!