Delator de Anastasia (PSDB) é considerado foragido pela PF

JaymeCareca_Careca-Anastasia-EduardoCunhaFoi considerado foragido pela Polícia Federal o ex-policial Jayme Alves de Oliveira Filho, conhecido como Careca. Documento apreendido pela PF no escritório de Alberto Youssef em São Paulo aponta que Careca realizou pelo menos 31 entregas de dinheiro vivo entre 2011 e 2012. O valor distribuído foi de 16,9 milhões, de acordo com a investigação.

“Careca relatou aos investigadores que entregou aproximdamente R$ 1 milhão em Minas Gerais que teriam sido destinados para a campanha do ex-governador tucano e hoje senador Antonio Anastasia em 2010. O ex-policial também disse que entregou dinheiro em uma casa no Rio, e que a propina seria destinada ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Contou ainda que entregou cerca de R$ 10 mil ao ex-deputado Luiz Argôlo (SD-BA), também réu na Lava-Jato”, afirma o Valor.

“Careca” foi preso meses atrás, em uma das fases da Operação Lava Jato, mas o juiz Sérgio Moro mandou soltá-lo, não aplicando ao denunciante dos tucanos o mesmo critério da prisão preventiva prolongada, utilizada para manter encarcerado tantos outros acusados.

Aproveitando o refresco, “Careca” sumiu do mapa, antes que tivesse confirmado seu depoimento em que revelou ter repassado propina por ordem do doleiro Alberto Youssef. Com isso a investigação do caso ficou prejudicada, devido a impossibilidade de confirmar o depoimento da testemunha no processo.

Num ato tardio, o Juiz Sérgio Moro resolveu declarar a testemunha foragida e a PF cogita agora colocá-lo na lista da Interpol, embora o mesmo não tenha autorização para deixar o país

O sumiço de “Careca” é mais um ponto a ser esclarecido nesta trama. Mas parece evidente que, no contexto das várias prisões preventivas decretadas, a soltura desta testemunha chave não teve qualquer coerência ou lógica, embora as consequências fossem previsíveis.

Mandato Ivan Valente – PSOL/SP