Condutores e alunos são vítimas de estelionato eleitoral de Doria

Senhor Presidente, Senhoras e Senhores deputados, assumo esta tribuna para denunciar, dar conhecimento ao público de São Paulo e de todo o Brasil, de mais um capítulo do grande “Estelionato Eleitoral” praticado pelo prefeito de São Paulo, Sr. João Doria Jr, que como candidato fez inúmeras promessas e agora, como prefeito, não as cumpre e age de forma absolutamente diferente.
Dessa vez, as vítimas são as crianças, alunos das escolas da rede municipal de educação de São Paulo e os condutores de veículos do Transporte Escolar Gratuito, serviço mais conhecido pela sigla TEG, implantado no município desde 2002.
À época das eleições, o prefeito marqueteiro desenvolveu sofisticadas peças de propaganda, muito bem elaboradas tecnicamente, para ludibriar o eleitorado, passando uma falsa imagem de gestor competente, sensível e comprometido com a cidade.
Também dessa forma foi tratada a questão do “Transporte Escolar”, um serviço essencial para se assegurar o direito de acesso das crianças às escolas e o bom funcionamento da rede municipal de educação. Sabemos que o direito à educação não se efetiva apenas com o ato da matrícula, mas também garantindo o acesso é a frequência dos estudantes, o que faz da política de transporte escolar em uma cidade como São Paulo algo extremamente importante.
Textualmente, disse o candidato Doria, em programas de propaganda eleitoral que apareceram na TV, em sua campanha marqueteira:
“O transporte escolar é peça fundamental da política educacional e da mobilidade em São Paulo, por isso, vamos fazer ações efetivas para melhorar a vida dos transportadores escolares e buscar excelência nesse serviço tão importante para os nossos filhos”
E acrescentou: “O transporte escolar na cidade de São Paulo conta com mais de 13.000 profissionais e transporta mais de 1 milhão de alunos todos os dias, por isso, aqui vai o meu respeito e profunda admiração por esses valorosos microempresários dos transportes que cuidam dos nossos filhos todos os dias.”
Passado quase um ano de gestão, qual é o balanço? Total desrespeito com as crianças, mães e condutores de veículos. Falta de transparência e corte dos serviços, drástica imposição de redução da demanda. Atrasos e fracionamento do pagamento dos condutores em todos os meses do ano de 2017. Crianças sendo obrigadas a mudar de escolas, expostas a situações de sobre-esforço e risco, famílias sendo chantageadas, ausência de diálogo e informações. Enganação e constrangimentos de toda ordem.
A prática da Gestão Doria é absolutamente oposta ao que prometeu, ou seja, prevalece o caráter autoritário, enorme insensibilidade para com os direitos das crianças e das famílias e absoluto descompromisso com os direitos dos condutores que as transportam.
É extremamente desejável que as crianças estudem em escolas que se localizem o mais próximo possível de suas moradias, porém, o que está ocorrendo é que a Prefeitura está impondo uma mudança de escolas para os alunos com o único objetivo de cortar gastos. Não há novas unidades na rede municipal, portanto a diminuição da demanda pelo transporte está ligada a uma alteração no cálculo da distância das residências até às escolas, de forma absolutamente restritiva.
É evidente o descompromisso com o processo de aprendizagem dos alunos, a não consideração com os vínculos afetivos e identidades que as crianças e as famílias estabelecem com as unidades de ensino e seus profissionais. Chama a atenção a total falta de planejamento, diálogo com as famílias para que tal política seja implantada, permitindo que as famílias se preparem devidamente para novas realidades.
Além disso, a verificacão estabelecida pelo prefeito tucano da rígida distância mínima estabelecida é absolutamente questionável. A mudança não leva em consideração as condições, as especificidades geográficas e as particularidades de cada região da cidade, situações de tráfego e inclusive as precariedades para percursos a pé com crianças pequenas que persistem nas áreas periféricas, gerando situações que expõem as crianças a riscos e fadigas absolutamente indevidas.
Um bom gestor não implementa políticas que mexem diretamente com a vida de profissionais do transportes, de crianças e de famílias inteiras desta forma, a toque de caixa, sem planejamento, sem diálogo e atacando os direitos dos envolvidos.
Por isso, senhoras e senhores deputados, fazemos um apelo para que o prefeito Doria suspenda essas medidas, reestabeleça os contratos com os condutores nos moldes anteriores, aprimorando o que for necessário e assegurando sustentabilidade financeira e respeito aos prazos de pagamentos pelos serviços realizados, abrindo um processo real de negociação com a categoria dos condutores de veículos, com adequado diálogo, por Diretoria de Ensino, com as famílias das crianças atendidas pela rede municipal de educação de São Paulo.
Talvez, analisando este caso, possamos entender um pouco melhor o conteúdo do mote deste governo: “Acelera São Paulo”. Doria, que está sempre em campanha, ora à Presidente, ora à Governador, não tem muito tempo para se dedicar à função para qual foi eleito, mas tem muita pressa em atropelar direitos para atingir rapidamente seus objetivos privatistas, assegurar privilégios e grandes lucros para o poder econômico, que, inclusive, poderá sempre financiar suas futuras campanhas, tudo isso em detrimento dos interesses da cidadania.
Considerando isso, parabenizamos os condutores de veículos, as crianças, as mães e pais, todos e todas que estão se rebelando, se organizando e lutando em defesa dos seus direitos para que essas medidas autoritárias e indevidas não prevaleçam. Estamos juntos nessa luta, contem com o apoio do nosso mandato. A São Paulo que queremos (que preserva direitos!) é muito diferente da cidade que esse prefeito quer (que assegura interesses do Mercado!).