Inaceitável atentado ao Centro de Cidadania LGBT Luiz Carlos Ruas

No fim de semana o Centro de Cidadania LGBT Luiz Carlos Ruas, localizado no centro de São Paulo, foi completamente vandalizado, vilipendiado.

Ao abrirem o Centro na segunda-feira, encontraram-no completamente destruído. Cortaram os cabos dos computadores e telefones, urinaram nos vasos de plantas, defecaram em mesas e corredores e se limparam com os prontuários, então rasgados, das pessoas atendidas. Ou seja, não se trata de um ato de roubo, mas de profunda violência contra a população LGBT. Um opróbrio a toda uma população que já é estigmatizada, marginalizada, violentada – inclusive por parlamentares que aqui se encontram, os quais estimulam esse tipo de violência.

Mais do que ânimos acirrados, discursos de ódio são disseminados e referendados por uma parcela conservadora, reacionária, preconceituosa e que não se envergonha em atentar contra a vida de pessoas que fogem ao moralismo tacanho seja de setores religiosos fundamentalistas ou de oportunistas.

O momento em que vivemos, em que a luta por direitos humanos, pelas liberdades individuais, pela livre orientação sexual e contra a violência de gênero se faz não só visível e necessária, atitudes como essa revelam o potencial violento que o discurso de ódio contra a já vulnerável população LGBT.

PESSOAS são atendidas pelo Centro de Cidadania. Pessoas que sentem, que pensam, que trabalham, que estudam, enfim, que têm o direito a uma vida digna são acolhidas pelo Centro em busca de seus direitos, de atendimentos em várias esferas: psicológica, graças à violência diária que sofrem; familiar, já que muitas vezes é na família que começa a violência ao serem expulsas de casa; escolar, ao não conseguirem estudar pelo despreparo e preconceito de instituições escolares; do trabalho, pois tanto pela falta de qualificação, já que não conseguiram estudar, como pelo preconceito que não permite que sejam absorvidas como mão-de-obra. Os Centros de Cidadania de São Paulo também auxiliam na retificação de nome e sexo nos registros civis para que, ao menos, tenham a dignidade de nome e sexo respeitadas legalmente.

Portanto, atacar um Centro de Cidadania LGBT, ainda mais da forma como foi feito, é um atentado aos Direitos Humanos, à dignidade humana, além de um atentado à coisa pública.

O Brasil é o país que mais mata pessoas transexuais e travestis do planeta! Concomitantemente, é o país que mais acessa filmes pornográficos com pessoas transexuais. Ou seja, a hipocrisia transborda na sociedade brasileira e descamba para a violência. E é fomentada pelos discursos de ódio que muitos desta Casa proferem e pelas inúmeras tentativas, através de vários instrumentos, tentar restringir direitos, negar dignidade, estimular perseguições e tornar as pessoas LGBT subcidadãs.

Estamos no século XXI e isto é inadmissível. É inaceitável que isto ocorra. Como disse em nota emitida pelo Centro, “Este ataque prova, infelizmente, o quanto ainda necessitamos lutar pelos direitos da população LGBT. Não cruzaremos nossos braços e o trabalho vai continuar, sempre com a participação de toda a equipe do centro – comprometida e engajada na continuidade do serviço. A destruição deste lugar de acolhimento para muitas pessoas não vai nos fazer parar, pelo contrário: exorta-nos a continuar trabalhando.”.

Não aceitamos mais violência contra a população LGBT, contra mulheres, negros, povos originários e quaisquer outras minorias que são historicamente perseguidas. Ou construímos uma sociedade democrática, justa e igualitária ou construímos uma sociedade democrática, justa e igualitária. Ou seja, não há alternativa nem outro caminho senão a conquista de direitos e a existência de uma sociedade para todos.

O ódio dessa gente, fruto da ignorância e do preconceito, não passará tampouco perdurará. O amor vencerá o ódio. Venceremos!