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Carta de despedida de Che aos
Pais
Queridos viejos:
Uma vez mais sinto sob os calcanhares as costelas
de Rocinante.* Retorno para a estrada com o escudo no braço.
Nada de essencial mudou, exceto que estou mais cônscio,
meu marxismo está mais arraigado e mais cristalizado.
Creio na luta armada como a única solução
para os povos que lutam para se libertarem e sou coerente
com minhas crenças. Muitos me chamarão de
aventureiro, e o sou, mas de um tipo diferente, sou daqueles
que colocam a vida em jogo para demonstrar suas verdades.
É possível que esta seja a definitiva.
Não estou buscando por ela, mas está dentro
dos cálculos lógicos das probabilidades. Se
tiver que ser, então este é o meu último
abraço.
Amei-os muito, só que não soube
mostrar o meu amor. Sou extremamente rígido em meus
atos e creio que houve ocasiões em que vocês
não me entenderam. Por outro lado, não era
difícil entender-me(...). Agora, a força de
vontade que aprimorei com o deleite de um artista levará
para diante minhas pernas fracas e meus pulmões cansados.
Vou conseguir.
Lembre-se de vez em quando deste pequeno condottiere
do século XX(...). Para vocês, um abraço
grande e apertado de um recalcitrante filho pródigo.
Ernesto
*Rocinante era o cavalo de Don Quixote.
Obs.: A mãe de Ernesto "Che" Guevara morreu
antes mesmo de seu filho, enquanto o mesmo ainda estava
no Congo. Sendo assim, jamais recebeu essa carta, a qual
foi entregue a seu pai Guevara Lynch.
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