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Poemas de Che Guevara
Pobre velha María...
não reze para o deus inclemente que frustrou suas
esperanças,
sua vida inteira,
não peça clemência desde a sua morte,
sua vida foi horrivelmente coberta de fome
e termina coberta pela asma.
Mas eu lhe quero anunciar,
numa voz baixa viril de esperanças,
a mais vermelha e viril das vinganças.
Quero jurá-la na exata
dimensão de meus ideais.
Pegue esta mão de homem que parece a de um menino
entre as suas, polidas pelo sabão amarelo,
esfregue os calos duros e os nós puros
na suave vingança de minhas mãos de médico.
Descanse em paz, María,
descanse em paz, velha lutadora,
seus netos viverão todos para ver a alvorada.
(Ernesto Guevara - Homenagem à
sua paciente, ainda na época de médico, que
morre vítima da asfixia da asma e do descaso social)
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