Sr. presidente, ouvimos
informações veiculadas pela imprensa
e comentários oriundos do Ministério
da Fazenda de que o governo pensa em renovar o acordo
com o Fundo Monetário Internacional (FMI)
. Desta vez, dizem que não se trata de crise.
Dizem que há reservas de US$ 16 bilhões
a US$ 18 bilhões, consideradas poucas, o
que é verdadeiro. Mais do que isso, a concessão
seria uma espécie de cheque especial para
se prevenir de futuras crises.
Desta tribuna, registro
que nenhuma concessão de empréstimo
pelo Fundo Monetário Internacional ocorre
sem determinação de condicionalidades.
Mesmo o empréstimo não sacado, apresenta
custo financeiro para o Estado brasileiro. Ainda
mais alto é o custo político, certamente
seguido da lógica de continuar andando de
muletas, de continuar dependente de um organismo
financeiro que fará imposições
políticas e econômicas ao país.
O Brasil precisa andar
com suas próprias pernas. Acabamos de nos
livrar de um empréstimo internacional, o
maior de todos os tempos, feito por um único
país mutuário do Fundo Monetário
Internacional, no valor de US$ 32 bilhões,
agora com todas as condicionalidades de política
econômica que estão aí: superávit
primário, livre circulação
de capitais e todas as questões que inibem
qualquer projeto de desenvolvimento autônomo
e soberano.
O Fundo Monetário
Internacional, apesar de ser um organismo multilateral,
do qual o Brasil e outros países são
mutuários, é comandado por um país
central que detém a maioria das cotas: os
Estados Unidos da América, que fazem o jogo
do grande capital financeiro internacional.
Por isso, sr. presidente,
preocupa-nos muito essa reivindicação,
que vamos fazer, para que os gastos das estatais,
na verdade, os investimentos, não sejam considerados
como gastos públicos. Ora, o gasto será
computado de outra maneira. Haverá cortes
em outro lugar. Há também o impedimento
de o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico
e Social financiar projetos, por exemplo, de saneamento,
habitação etc., exatamente por limitações
da Lei de Responsabilidade Fiscal - também
uma imposição do Fundo Monetário
Internacional -, assim como a Lei de Falências,
nos moldes em que foi aprovada, com prioridade para
o capital financeiro, em nome da redução
dos juros bancários.
Ao admitir a existência
de uma cláusula social em um acordo com o
Fundo Monetário, perguntamos se para gastar
no social agora temos de pedir autorização.
Sr. presidente, por isso, desta tribuna, queremos
dizer que o país precisa desenvolver-se com
seus próprios meios, de um projeto de desenvolvimento
socioeconômico, autônomo e soberano.
Não precisamos do acordo com o Fundo Monetário
Internacional. Temos capacidade de responder às
demandas nacionais de desenvolvimento, com distribuição
de renda e geração de emprego. Acordo
com o Fundo Monetário Internacional é
imposição.
Muito obrigado, sr.
presidente.