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16/09/2003
Sobre
a renovação do acordo com o FMI:
é hora do Brasil ter autonomia econômica
Sr. presidente, sras. e srs. deputados,
estamos diante do final do acordo com o Fundo Monetário
Internacional. O assunto está na pauta de todos
os grandes jornais do país. O Brasil deve ou
não renovar o acordo com o Fundo Monetário
Internacional? O Congresso Nacional e o povo brasileiro
devem participar desse processo. Recentemente, tivemos
o exemplo da Argentina, que quebra tabus. Durante
anos, particularmente na última década,
adentrando para o início desta, acostumou-se
a dizer que o pagamento religioso da dívida
externa brasileira e a renovação permanente
de acordos com o Fundo Monetário Internacional
são bons para o país, dá segurança,
é cheque especial etc. Por isso, sr. presidente,
seria importante que pudéssemos
refletir sobre as conseqüências desses
acordos no país.
Gostaria de citar alguns dados: a taxa
de crescimento brasileira, de 1994 a 1998, foi, em
média, de 2,5% ao ano. De 1999, quando veio
a crise, até 2002, tivemos crescimento médio
de 1,7% ao ano, o que colocou o país em véspera
de recessão com inflação, e o
que leva, atualmente, por continuidade das políticas
do Fundo Monetário Internacional, a um aumento
do PIB de apenas 0,5%, em 2003. Mais do que isso,
a taxa de desemprego, divulgada pelo IBGE, subiu de
7,5% para 13%, no governo Fernando Henrique Cardoso.
Quanto ao investimento, a queda dos rendimentos, neste
ano, foi de 17%, em cima da lógica de ajuste
fiscal, de superávites primários grandiosos
e de aumento da taxa de juros. Queda da renda: 17%.
A relação dívida/PIB, de 1998
a 2002, tida como parâmetro para negociação
com o Fundo, cresceu 20% nesse período - o
ministro Pedro Malan era especialista nisto. A relação
dívida/PIB, em todo o governo Fernando Henrique
Cardoso, passou de 30%, chegando a atingir 64%.
Sr. presidente, evidentemente, há
imposição global de política
econômica, que é a condicionante dos
empréstimos internacionais. É como se
vivêssemos de uma droga. O viciado precisa recorrer
a ela para sair da crise. O FMI é uma grande
droga. Temos que fazer tratamento de choque. Ou seja,
o país tem reservas internacionais mínimas.
O país pode baixar a taxa de juros. O país
pode taxar o capital volátil. O país
deve fazê-lo como, inclusive, a Argentina o
fez. E, mais do que isso, sr. presidente, as condições
dadas são sempre as mesmas, abertura de capitais
internacionais, regulamentação dos serviços
e, mais do que nunca, a sangria do pagamento da dívida
exigindo cada vez mais superávits maiores.
Fizemos mais de 5% do PIB, até este mês.
Isso não mais pode acontecer. As imposições
do FMI impedem o desenvolvimento do país. Dou
exemplo concreto: o BNDES tem caixa para emprestar
aos municípios, para investimento direto; o
Estado-empresário está proibido de fazê-lo;
dois mil municípios são adimplentes
e podem se
endividar, inclusive para investimento produtivo,
gerador de emprego e de distribuição
de renda, mas são proibidos; estatais são
proibidas de investir, porque o dinheiro é
computado como gasto público, nos acordos com
o Fundo. Essas são imposições
inaceitáveis. Por meio de toda a sociedade
mobilizada e com o respaldo do Congresso Nacional,
é preciso que o país
demonstre, claramente, que é possível
viver sem o balão de oxigênio do FMI.
O Brasil tem retaguarda, potencialidades
e condições para crescer, mas tem de
baixar o superávit primário e a taxa
de juros, taxar o capital financeiro e investir em
produção. Precisamos tomar decisão
definitiva. Esse sinal é fundamental. O Brasil
demonstrou, na Organização Mundial do
Comércio, junto com outras grandes nações
do Terceiro Mundo - China, Índia, África
do Sul -,
que não é mais possível aceitar
as imposições dos países centrais
do capitalismo, que controlam os órgãos
multilaterais - OMC, Fundo Monetário Internacional,
Banco Mundial, BIRD. Este Congresso tem de se posicionar
e respaldar a decisão governamental de não
renovar o acordo com o FMI. Vamos respirar, investir,
crescer e distribuir renda. É disso que o Brasil
precisa, inclusive, para ter força de, com
outras nações, pressionar internacionalmente.
Muito obrigado, sr. presidente.
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