09/07/03
Ivan
Valente denuncia ingerência externa nos negócios
brasileiros:
Banco
Mundial impõe regras abusivas ao país
para conceder empréstimo de US$ 8 bilhões
O SR. IVAN VALENTE
- Sr. Presidente, sras. e srs. Deputados, ontem,
o jornal Folha de São Paulo publicou importante
matéria com a seguinte manchete: " Banco
Mundial impõe condição para
ajuda externa ao País ". Para emprestar
- não doar, mas emprestar - US$ 8 bilhões,
o Banco Mundial impõe as seguintes condições:
1) A multa de 40% sobre
o saldo do FGTS, no caso de demissões por
justa causa, deve ser extinta.
2) Propõe privatizar
a universidade pública brasileira, a começar
pela cobrança de mensalidades.
3) Acabar com as deduções
no Imposto de Renda de gastos com saúde e
educação. Mas vejam, não é
recurso para o Tesouro, mas para o empresariado.
4) Aumentar a contribuição
previdenciária dos servidores públicos
da ativa de 11% para 14%.
O Banco Mundial se propõe
a emprestar US$ 8 bilhões, sendo US$ 4 bilhões
para investimento e US$ 4 bilhões para iniciativas
de ajuste fiscal. Lembro, sr. Presidente, srs. Deputados,
como Coordenador da Frente Parlamentar em Defesa
do Financiamento Público e da Soberania Nacional,
que esta proposta se materializa em intolerável
ingerência externa nos negócios brasileiros.
Ao emprestar US$17 bilhões, de 1987 a 1997,
ao país, o Banco Mundial levou de volta em
juros e pagamentos US$ 27 bilhões, ou seja,
continua sendo um banco do qual o Brasil também
é mutuário.
O Brasil é o segundo maior contribuinte do
Banco Mundial e não define suas políticas.
O país que controla este banco, o acionista
majoritário, impõe aos países
mutuários suas políticas neoliberais
de ajuste. E nos vêm com a balela de que nos
estão emprestando. Por isso, entendo essa
questão da maior gravidade, e justifica a
criação da Frente Parlamentar no Congresso
Nacional e uma legislação que passe
a controlar, fiscalizar e autorizar empréstimos
do Banco Mundial, do BID e do Fundo Monetário
Internacional, para que o povo brasileiro não
seja vítima de empréstimos. Eles vêm
carregados com a idéia de que o Brasil precisa,
por meio de documentos estratégicos feitos
pelo banco para o Brasil, dizer que temos que aumentar
o superávit primário; diminuir a relação
dívida/PIB; fazer mais ajustes fiscais e
a Reforma da Previdência. E, nesse documento,
que é a estratégia de assistência
ao país, isso ficou bem claro. E que também
na Reforma Trabalhista precisamos tirar direitos
dos trabalhadores para diminuir o Custo/Brasil.
Quero, desta tribuna,
repudiar esse tipo de insinuação.
Nós não precisamos de empréstimos
que violem nossa soberania, que nos imponham mais
ajustes fiscais e que são uma violência
contra o próprio caráter de um banco
como o Banco Mundial, formado por mutuários
de vários países contribuintes, mas
o único que determina as políticas
que devem ser seguidas é o país-chave,
o centro do império, os Estados Unidos da
América. Quero dizer que o documento de estratégia
para o país, que está sendo elaborado
pelo governo brasileiro, precisa ser discutido pelo
Congresso Nacional com transparência e visibilidade.
Por isso, os representantes
do Banco Mundial, do BIRD e do FMI precisam começar
a vir a esta Casa e não apenas transitar
pelos palácios. E digo isso como forma de
alerta ao nosso governo. No jornal O Globo de hoje,
há que nosso governo deve reagir ao documento
do BIRD que propõe aumento de impostos. Como
podem vir nos impor regras sobre assunto que nós,
brasileiros, queremos tratar individualmente? Empréstimos
são bem-vindos para financiamentos, investimentos,
mas não como imposições de
políticas públicas. Isso é
inaceitável, sr. Presidente.
Muito obrigado