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20/08/2003
3ª Carta ao FMI na gestão Lula
Caro Sr. Köhler:
1. Desde a última revisão
do programa, o Brasil continuou a fazer importantes
avanços em diversas áreas. Indicadores
da evolução da inflação
e de suas expectativas estão convergindo para
as metas do governo, permitindo relaxar a política
monetária. Em conseqüência do esforço
do governo, a economia claramente superou as dificuldades
iniciais e esperamos a retomada do crescimento em
bases sólidas. O setor externo continua a ter
um bom desempenho, com crescente diversificação
de mercados e produtos, apesar de um ambiente internacional
volátil.
2. A agenda de reformas estruturais
do governo avança com vigor no Congresso. A
reforma da previdência foi votada em primeiro
turno no dia 6 de agosto, tendo havido avanços
nas discussões da reforma tributária.
Também se verificou progresso na votação
da Lei de Falências, estando previsto para breve
a votação do projeto de lei pela Câmara
dos Deputados. A política fiscal está
de acordo com o estabelecido e a proporção
da dívida vencendo em 12 meses continua a cair,
assim como o custo da dívida interna. A redução
da vulnerabilidade da economia também permitiu
o Banco Central diminuir a exposição
cambial da dívida pública referenciada
em moeda estrangeira (swaps).
3. No dia 25 de junho, o Conselho
Monetário Nacional estabeleceu a meta de inflação
para 2004 em 5,5% (mantendo a meta operacional adotada
pelo Banco Central em janeiro) e estabeleceu a meta
para 2005 em 4,5%. Apesar de ambas as metas comportarem
uma banda de ±2,5 por cento, a política
monetária estará visando firmemente
o valor central dessas bandas. A confirmação
da meta de 2004 reforça o papel da política
monetária em prover um ambiente de estabilidade
que facilite as decisões econômicas,
ao mesmo tempo em que evita um custo excessivo em
termos de produto que uma desinflação
mais rápida traria.
4. A legislação
para os fundos de previdência complementar do
setor público foi incorporada na própria
reforma da previdência. Prevemos que a reforma
estará concluída no final do ano, quando
encaminharemos a legislação para a criação
dos referidos fundos dos servidores civis, como estipulado
no parâmetro estrutural acordado no começo
deste ano. Acreditamos, portanto, que esse parâmetro
não é mais necessário.
5. Apesar de sua importância,
a venda dos bancos federalizados avançou mais
lentamente do que o previsto, em função,
principalmente, de questões legais. Contudo,
temos expectativa de um avanço significativo
deste tema até o final do ano, com a conclusão
de nova rodada de avaliações para a
determinação do preço mínimo
de venda e por isso propomos atualizar o parâmetro
para o fim de setembro.
6. Como de hábito, continuaremos
a manter uma relação próxima
de diálogo com o Fundo e, se necessário,
estaremos prontos a tomar eventuais medidas adicionais
para alcançar os objetivos do programa.
Cordialmente
Antônio
Palocci Filho
Ministro da Fazenda do Brasil
Henrique de Campos
Meirelles
Presidente do Banco Central do Brasil
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