Compromisso
e competência na gestão educacional: uma lição
de Paulo Freire.
Lisete R. G. Arelaro*

É um pouco complexo discutir, hoje, lições
de vida e opções de Paulo Freire em relação
a diversos aspectos da política educacional quando esteve
à frente da Secretaria Municipal de Educação
de São Paulo, na Gestão Luiza Erundina (1989-1992),
em função das muitas obras e artigos que já
contribuíram para se conhecer um pouco mais deste extraordinário
Educador, que foi Paulo Freire. Há, no entanto, um aspecto
que, acredito, possa ser melhor revelado, pois ainda é pouco
discutido: o de gestor educacional.
Em geral, os estudos e pesquisas disponíveis
expõem as teorias de Paulo Freire, em particular sua Teoria
do Conhecimento, centradas na ação pedagógica
que o processo educacional intra e inter escolares apresentam. E
nele, uma nova proposta de atuação pedagógica
que ganhou o apelido de “educação popular”,
pois nela se discutia, fundamentalmente, o processo político
de “inclusão social” a que todos têm direito
e o direito à educação a que os “oprimidos”
– no caso, os pobres - na nossa sociedade desigual, nunca
tiveram.
O direito de todos à educação,
histórica e politicamente, no Brasil, significou possibilitar
o acesso à escola, no máximo, a crianças de
6 ou 7 anos de idade até 14 ou 15. Não mais. Os jovens
maiores de 15 anos e os adultos analfabetos ou com baixa escolaridade,
nunca fizeram parte das prioridades educacionais do país.
Exceção feita há muitos anos atrás –
e uma só vez – no Governo Jango Goulart (nos idos dos
anos 60...) quando Paulo de Tarso Santos, juntamente com Darcy Ribeiro,
o primeiro, como Ministro da Educação, e o segundo,
o idealizador e fundador da Universidade de Brasília, convidaram
um professor pernambucano simpático, para coordenar um Plano
de Alfabetização ousado – como se exigia naqueles
tempos – que atendesse, em curto prazo, e de ponta a ponta
do país, os milhões de jovens e adultos analfabetos.
Não por acaso, durante muito tempo falou-se
mais num tal “método de alfabetização
paulofreireano” que produzia milagres, já que em somente
30 horas – diziam - um analfabeto poderia se transformar em
um “leitor do mundo”, agora, alfabetizado.
Foram necessários bons anos, para que
o próprio Paulo Freire desmentisse, de forma convincente
e definitiva – essa “criação” que
a mídia havia produzido, ajudado por um amigo jornalista,
que mais do que lançar a notícia “espetaculosa”
– como ele gostava de se referir – do “método
mágico” esperava conquistar a atenção
de muitos, em especial dos dirigentes e políticos nacionais,
para um problema que, até então, parecia insolúvel,
dadas as condições de desigualdade social do Brasil.
Estávamos nos anos 60. E o jovem Paulo Freire, quanto mais
testava, na prática, essa nova concepção de
educação e de processo ensino-aprendizagem, mais se
convencia de que “ouvir” o outro, com os ouvidos “de
dentro”, implicava em reconhecer e se formar no processo cidadão
do diálogo, do respeito aos pensamentos diferentes, aos diferentes
jeitos de ser, estar, sentir e criar.
Daí a convicção, que sempre
lhe custou críticas ácidas de adversários numerosos,
de que esse “ouvir”, que ele caracterizava como uma
opção política pelo direito à igualdade
e à fraternidade, na diferença, traduzia a necessidade
de que as relações entre aluno e professor –
e portanto, de quem aprende, com quem ensina – fossem estabelecidas
a partir de um pacto democrático, em que um, nunca sabe tudo
e o outro, nunca é tão ignorante, que não possa
contribuir com suas reflexões e práticas de vida.
Nascia, assim, a concepção dialógica,
não como um método de ensino ou “estratégia”
pedagógica, mas como uma teoria do conhecimento e da aprendizagem,
e condição fundante das relações educacionais,
dentro e fora da escola. Na vida, com os amigos, com o namorado,
com o patrão, na escola... e nesta, envolvendo todas as funções
do trabalho escolar
e pedagógico.
Nessa concepção, não há
mais o chefe “que manda”, porque tudo sabe, e este “saber“
lhe dá poder, mas o “colega” de equipe, que coopera,
que apóia, que coordena. E cada um da “equipe”,
tem, a partir de metas construídas em função
de um objetivo comum, um conjunto possível e variado de tarefas
e funções a desempenhar.
É por isso que na sua teoria, o professor
não é o que tudo sabe, e o aluno, um corpo vazio onde
se “colocam” conhecimentos. Por ela, professor e aluno
têm uma relação – necessária teoricamente
– de camaradagem, de companheirismo e de respeito, nos seus
diferentes papéis, que interfere e modifica o próprio
processo de aprendizagem. Assim, passa a ser compreensível
que o professor não seja simplesmente “quem tudo sabe”,
e o aluno o que, “passivamente, aprende”, mas, ao contrário,
uma aprendizagem em processo que envolve todos os personagens.
Em São Paulo, a megalópole brasileira
e a cidade mais rica do país, tradicionalmente conservadora
e elitista, na sua primeira Gestão pública, à
esquerda, quando, construir uma sociedade socialista era objetivo,
ainda, do Partido dos Trabalhadores (PT), essa sua concepção
de gestão e de administração da “coisa”
e dos serviços públicos, certamente incomodou muitos,
porque, ao mesmo tempo, em que ele era sempre solidário,
era também, de forma bem humorada, exigente, ousado, competente
e atento.
E a sua ação e postura, no cotidiano
de Dirigente Educacional e de Governo, foram coerentes com sua concepção
de educação, de cidadania, de processo de ensino-aprendizagem.
Paulo Freire nunca foi arrogante, mesmo sendo o mais titulado dos
intelectuais brasileiros. Nunca reivindicou para si, “direitos
especiais” como Secretário Municipal ou como professor
reconhecido e amado em todo o mundo. O seu lema “o mundo não
é; o mundo está sendo”, valia para ele, também,
onde cada minuto constituía uma oportunidade única
de transformar o mundo, e nele, as pessoas. E a possibilidade de,
mesmo crendo, hoje, totalmente em alguns valores, poder “reavaliá-los”,
amanhã, a partir de novas condições histórico-culturais.
Era, portanto, um professor, à frente de seu tempo.
O seu método de trabalho – ação,
reflexão, ação – inspirava o seu cotidiano
de Dirigente: as reuniões de equipe eram necessárias,
sistemáticas e permanentes, para que, de forma coletiva,
se avaliasse, a todo momento, a coerência das propostas educacionais,
frente aos objetivos definidos e às sugestões de ação,
que a rede municipal apontava.
Criou colegiados de decisão, espaços
públicos que, administrativa e politicamente, definiam as
políticas de ação frente às políticas
educacionais estabelecidas nos Fóruns do Partido, que caracterizaram
e definiram, naquela década, o “modo petista de governar”.
Naquele momento histórico, a gestão democrática,
que envolvesse pessoas, grupos, associações e sindicatos,
a construir, de forma coletiva, princípio e diretrizes de
governo, era o princípio que dirigia e motivava as gestões
petistas. E onde a participação popular ganharia reforço,
organização e espaço de decisão, no
esforço de construção de uma sociedade cada
vez mais radicalmente democrática.
Na sua origem, e tendo Paulo Freire como referência
efetiva, a razão maior que motivava o PT para a disputa institucional,
era a certeza da importância histórica da mobilização
popular, que através de Conselhos Populares, de caráter
deliberativo, motivassem os diferentes grupos sociais e movimentos
populares a se fazer presentes, com sugestões e propostas
de políticas que melhor orientassem a ação
pública dos dirigentes, democraticamente escolhidos pelo
voto universal.
Seriam estes Conselhos Populares – idéia
logo abandonada no início da gestão “popular
e democrática” - uma criação política
e de adoção gerencial, que se constituiria marca de
Governo, pois “mostraria” aos incrédulos, a força
do povo, quando estimulados e organizados, sistematicamente. Afinal,
o lema “o povo unido, jamais será vencido” havia
motivado e mobilizado as campanhas do Partido e, mesmo, os movimentos
populares, na maioria de suas reivindicações e de
ações de resistência ao governo militar, recém
substituído pelos civis.
Paulo Freire – com um jeito muito próprio
– sorria, sabiamente, ao ouvir essas propostas. Sabia que
este era um equívoco político, ainda que estimulante,
uma vez que o processo de participação popular em
decisões fundamentais de governo é muito mais complexo
do que o simples desejo de governantes, por mais avançadas
que representem estas propostas para os oprimidos.
Sabia, ainda que isso não abatesse sua
militância e esperança nos movimentos sociais, que
o sistema capitalista brasileiro – com os apelidos que se
adotasse: periférico ou emergente – era muito mais
forte e tinha raízes mais profundas, que uma gestão
municipal pudesse combater ou contestar. “Sentia”, pelas
suas caminhadas pelo mundo, a proximidade de discursos mais combativos
do capitalismo internacional.
Na sua prática, contestava, sem perder
tempo com longas citações, os equívocos teóricos
de intelectuais, que pregavam – e, ainda hoje, condicionam
e inspiram a ação de muitos! – concepções
correntes de que “poder” e “chefia” são
sempre sinônimos de “controle”, como pré-condição
da eficácia e eficiência das ações. Esse
modo de entender a vida e o trabalho, dizia ele, implica em uma
relação de subordinação e de separação
necessária entre os que pensam e os que fazem. E, em conseqüência,
a necessidade – mudança visível, em muitos colegas
nossos - de assumir um “ar superior”, que uma posição
hierárquica de chefia, aparentemente, dá, e cria a
(falsa) impressão, de que “alguns são mais iguais
que outros” e que os “chefes” são –
sempre! – cidadãos acima de qualquer suspeita.
Esta era, para o Professor Paulo, a função ideológica
que o aparato burocrático criava, quando um grupo político
– eleito pelo povo e para governar para e com o povo –
em nome dele, se encastelava, se isolava, estabelecendo novos direitos
e privilégios, que negavam, na prática, a gestão
democrática e o direito de todos.
Ou, como se encontra freqüentemente na
atual literatura sobre gerência e administração,
a crença quase “religiosa” de que a inovação
e a criatividade só alcançam seu mais alto potencial,
se estimuladas por uma feroz – e por isso salutar –
competitividade entre os componentes da equipe de trabalho. E onde
se declara, como critério científico – porque
“neutro” - de avaliação da produtividade
e de qualidade da atuação, em qualquer campo do saber
e da atuação pública, a produção
de “resultados” quantificáveis, que justifiquem
(ou não) os processos adotados.
Na educação, estas concepções já
estão também presentes, pois hoje, é pouco
importante saber se uma criança ou jovem “gosta”
da escola e que significado ela tem para eles, mas sim, avaliar
se sua “competência” no cumprimento dos seus objetivos,
podem ser verificados através de processos que “meçam”
as habilidades adquiridas, habilidades estas definidas a partir
dos interesses e das indicações do mercado. Ou seja,
vivemos um momento em que a ênfase é dada aos “produtos”,
e não mais aos “processos”.
Esta é uma mudança estratégica
para o processo de ensino, e ainda que pareça sutil, altera,
profundamente, a atual organização escolar e dos sistemas
escolares. Traduz a entrada, através de processos economicistas
e de competição, da lógica do mercado na escola
e na educação, em que o lucro, produzido pelo menor
custo – e o aumento cada vez mais constante dele – define
(em dólares!) a competência da empresa. As políticas
sociais seriam a primeira vítima dessa concepção.
Nesta lógica, os que nada – ou
pouco - “rendem”, ainda que por culpa do sistema político
e econômico, devem ser eliminados, e, caso não se consiga
eliminá-los totalmente, por conta dos antigos e retrógrados
direitos sociais, temos que fazer com que seus encontros (passagens?)
nas escolas, sejam os mais breves possíveis. Não por
acaso, da UNESCO ao Banco Mundial, as indicações de
“flexibilização” das propostas educacionais
embutem a necessidade da formação, a mais rápida
possível dos “sem consumo” – os pobres,
como tradicionalmente eram chamados.
Argumentam, de forma palatável e “moderna”, que
o desafio atual é “aprender a aprender”, não
paulofreireanamente falando, mas, já que o processo de educação
é permanente, cada um que cuide, pessoalmente, e sob sua
responsabilidade, de sua própria educação,
e arque com o ônus econômico de estar “preparado”
– sempre! – para as exigências do mercado. Aos
“muitos”, o pouco que o Estado deve oferecer, aos “poucos”
– economicamente falando – pelos seus méritos,
e em seu nome, muito será oferecido.
O próprio conceito de qualidade da educação,
traduzida em “produtos mensuráveis”, desejo de
muitos com visão economicista, constituiu um desafio, na
gestão municipal de São Paulo, a que Paulo Freire
se contrapôs, de maneira competente e coerente. Ele riria
hoje, se vivo estivesse, com a “febre” de exames unificados,
sob a forma de testes de múltipla escolha, como critério
quase exclusivo de se avaliar a qualidade dos sistemas de ensino,
da atuação dos professores e da aprendizagem dos alunos.
Ele simplesmente propôs, na sua Gestão, uma inversão
correta de caminhos. Primeiro movimento: perguntou aos alunos, funcionários,
professores e pais, o que achavam da escola, em que eles ou seus
filhos estavam matriculados ou que atuavam, profissionalmente –
e essa ação constituiu a realização
do primeiro diagnóstico da escola e de suas circunstâncias.
Segundo passo: perguntou, a todos, como eles gostariam que fosse
sua escola – escola ideal para cada um dos segmentos que nela
atuavam ou conviviam – para que a partir desses “desejos”
e concepções ideais, se estabelecessem os objetivos
educacionais a serem atingidos, sob responsabilidade conjunta, pelas
escolas. E, em terceiro lugar: o que e em que eles gostariam que
suas escolas fossem diferentes – ou seja, realizava-se ali,
uma primeira avaliação e proposição
de alternativas de solução para cada uma e para todas
as escolas, respeitando-se a história e as especificidades
de cada uma.
Em função desse processo –
e coerente com a disputa do diálogo como método de
trabalho e de vida – Paulo Freire convidou/convocou os melhores
professores das melhores universidades, para que, juntos, ajudassem
as escolas a construir, prática e cotidianamente, seu caminho
pedagógico e político que orientasse suas “escolhas”
educacionais. Realizou, assim, um precioso e inédito processo
de formação de professores da rede municipal de ensino,
que não significou contratos e imposição de
“pacotes”, mas ofereceu subsídios vitais para
que a escola “de qualidade”, e com a “qualidade”
dos alunos reais, fosse sendo construída.
Os resultados não tardaram a aparecer,
pois não foram poucos os alunos oriundos de segmentos de
classe média que, reiniciaram sua volta às escolas
públicas municipais, não pela falta de recursos econômicos,
mas pela excelência das mesmas, traduzidas e avaliadas, num
primeiro olhar, pela alegria e esperança dos professores,
de que estavam sendo “ouvidos” e, em conseqüência,
respeitados. Assim sendo, uma coleção de projetos
começaram a florescer nas escolas, projetos estes, escritos
pelos próprios professores e especialistas de ensino, desejosos
de construir uma nova “escola pública”, em que
a qualidade, agora, definida pela maioria presente na escola - e
apelidada de “qualidade social” - constituísse
sua audácia pedagógica.
Feito isso – procedimento que burocrata
algum colocaria defeito, pois os “passos” do planejamento
haviam sido obedecidos – como propor ou defender um sistema
unificado ou centralizado de avaliação da aprendizagem
e de avaliação educacional? Como propor um currículo
único, para todas as escolas? Como sustentar, pedagogicamente,
a concepção dialógica do conhecimento e da
aprendizagem, com uma concepção diretiva – ainda
que em nome da “competência”?
Tinha clareza de que se fossem criadas “brechas”
para a divisão do conhecimento, em conteúdos “científicos”,
“profissionais e técnicos” ou “críticos”,
essa divisão do trabalho entre os educadores, cada um assumindo
a propriedade de sua tarefa, levaria, necessariamente, a um descompromisso
pela totalidade do ato educativo.
Assumia, com ousadia, a concepção
que o desenvolvimento da consciência crítica se faz
pelo conhecimento, pela análise e ação sobre
a realidade vivida, e que isso não pode ser atribuído
como propriedade de nenhum conteúdo em particular, e se constitui
responsabilidade coletiva que não pode ser subdividida no
processo pedagógico.
Paulo Freire resistiu à tentação
de “baixar atos” pelo Diário Oficial, sem que
os mesmos tivessem sido discutidos – às vezes, até
de forma exaustiva, pelos envolvidos na decisão. Teve coerência
– e paciência histórica – para propor idéias
arrojadas, e ao mesmo tempo, teve humildade para reconhecer que,
nem sempre, a rede municipal, no seu conjunto, tinha condições
pedagógicas e políticas de aceitar essas idéias,
voltando atrás.
Teve a ousadia gerencial de propor uma pesquisa,
envolvendo o conjunto da rede, sobre as diretrizes constantes de
uma primeira proposta de Estatuto do Magistério, que considerávamos
ideal. Foi vencido, em alguns aspectos. Perdeu, em particular, no
que se referia a “desacomodar” dirigentes municipais
de seus cargos, que, legitimamente haviam sido conseguidos por concurso
público, mas que não os legitimava a, política
e pedagogicamente, exercerem esses cargos, para toda a vida.
Defendia, por coerência, a eleição
e o rodízio de todos os cargos de direção,
no sistema escolar. E nem a “vaia”, recebida em reunião
com dois mil dirigentes educacionais da rede municipal, que se sentiram
ameaçados por essas propostas, o fizeram titubear sobre o
direito da livre manifestação do pensamento, como
oportunidade privilegiada de formação política
e pedagógica e de (re)visão de conceitos fundamentais
ao ensino e à educação.
Nem por isso, no entanto, em nenhum momento,
utilizou seu cargo – ou poder de persuasão –
para esconder a “derrota” e, a partir daí, mudar
a regra do jogo que a consulta e a participação populares,
exigem. Defendeu, inequivocamente, todos os professores e especialistas
de ensino, que haviam sido perseguidos e punidos pelo Governo anterior
– por terem participado de atos de protesto, contra posições
do então Governo – e nunca, na sua gestão, impediu
que, por desafeto ou divergência, educadores, alunos ou pais
deixassem de participar dos conselhos deliberativos.
Essa coerência, por certo, não
é fácil de ser mantida. Mas, ainda que não
acreditasse que a formação crítica acontecesse
a partir de conteúdos formais ou de disciplinas específicas,
mantinha sua fé na escola e na pessoa humana, de que a educação
política, realizada também pela escola, na busca de
uma educação cidadã, que tivesse significado
para a vida das crianças, jovens e adultos que nela estavam,
exigiria a busca da igualdade a ser construída para além
do sistema capitalista.
Sua convicção de que o diálogo
– que exige constância e sistematicidade – poderia
levar a uma outra concepção de mundo, fez dele o mais
capaz, arguto e coerente administrador educacional que conheci.
Por isso, nós todos, que tivemos o privilégio de conviver
com ele, afirmamos: Paulo Freire vive! Morreu, sem morrer, pois
sua obra e seus sonhos ficaram e germinaram. E nossa melhor homenagem,
a esse homem íntegro, é – como insistia ele
– não “repetir” as suas palavras, mas “buscar
novos sentidos”, novos caminhos e sonhos, aos que virão...
Viva Paulo Freire! Paulo Freire Vive!
* Professora da Faculdade de Educação
da USP; é pesquisadora na área de Política Educacional.
Participou da Equipe do Prof. Paulo Freire na Gestão Luiza
Erundina, na Cidade de São Paulo (1989/92). Endereço
eletrônico: liselaro@usp.br.
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