A “SOLUÇÃO” MAIA: O GOLPE DENTRO DO GOLPE!

A crise vivida pelo governo Temer parece ter chegado ao seu momento final. As denúncias da Procuradoria Geral da República e o voto do relator da CCJ favorável a instauração do inquérito no STF parece ter selado o destino deste governo corrupto e ilegítimo.

Mesmo que Temer consiga derrotar no plenário da Câmara este primeiro pedido de instauração de inquérito (uma hipótese pouco provável a cada hora que passa), outros dois pedidos virão. O que obrigaria Temer a mobilizar novamente sua tropa para mais dois embates de grande envergadura, com chances mínimas de vitória.

Percebendo esta debilidade e tentando evitar uma dinâmica de crise permanente é que os articuladores do golpe passaram a atuar de maneira mais decidida para tirar Temer de cena.

A prioridade destes setores, que envolve o mercado financeiro, os barões da mídia e os partidos que lhes devem obediência (PSDB/PMDB/DEM e outros satélites) é restaurar a chamada “normalidade” para que possam continuar tocando as “reformas” que retiram direitos dos trabalhadores, como a previdenciária e a trabalhista.

Neste sentido, a “solução” Rodrigo Maia nada mais é do que um arranjo, realizado entre os protagonistas do golpe, com o objetivo de dar continuidade ao pacote de maldades contra os direitos do povo brasileiro e o patrimônio nacional. Além, é claro, de tentar uma recomposição de forças capaz de frear as investigações da Lava Jato. Já que Temer, com a popularidade no chão e alvejado pelas denúncias de corrupção, não teria mais a menor condição de fazê-lo. Um “golpe dentro do golpe”, para manter o curso das coisas exatamente como está.

O eventual governo Maia será mais do mesmo. A manutenção de Meirelles na Fazenda e de Moreira Franco e Eliseu Padilha nos ministérios é uma das várias indicações de que nada mudará.

Ao mesmo tempo, vai ficando evidente que a “solução” Maia traz consigo uma grande pizza, onde um dos ingredientes principais pode ser a aprovação de algum tipo de anistia para Michel Temer, de modo a facilitar sua saída da presidência e a manutenção do apoio de sua ala do PMDB às “reformas”. Um acordo com os corruptos, com o apoio da grande mídia e do mercado, para continuar retirando os direitos dos trabalhadores brasileiros.

Esse é o sentido principal do golpe e de sua reorganização neste momento de crise: promover a maior retirada de direitos que for possível, sem que tais medidas passem pelo crivo das urnas e do voto popular. Por isso negam qualquer possibilidade de eleições diretas, por saberem que jamais seriam eleitos defendendo as famigeradas “reformas”. Um verdadeiro atentado contra a democracia brasileira.

A “solução” Maia, portanto, é uma farsa que o povo brasileiro não pode aceitar. Um governo tão ilegítimo e igualmente sustentado pela mesma base política fisiológica que até agora deu apoio ao governo corrupto de Temer.

É preciso restaurar a democracia e a soberania popular por meio de eleições diretas já. Esta é a única forma de dar ao povo o poder de decidir seu governo e a agenda política que deve ser implementada no país. Uma agenda voltada ao combate a corrupção e a especulação financeira, a redução das desigualdades, a promoção da justiça social e a garantia de direitos e participação popular. Essa é a nossa luta.