Apoio a Doria nas redes derrete

O prefeito de São Paulo, João Doria, começou 2017 com uma força assustadora. Nos primeiros meses, pegou tamanho embalo que nenhum erro derrubava sua popularidade: nem cobrir grafites de cinza, nem colocar a vida das pessoas em risco com o aumento da velocidade nas marginais. Mas não demorou muito para os paulistanos tomarem conhecimento de quem é João Doria por trás do marketing.

Analisando o gráfico publicado pela Exame, constata-se uma queda brusca no engajamento nas redes de Doria na metade de março. Isto coincide com a paralisação contra as reformas de Temer. O que houve é que o tucano, que durante a campanha se passou por trabalhador, mostrou de que lado está, ao punir os grevistas pelas paralisações. Preferiu defender Temer e suas reformas nefastas do que os trabalhadores.

A segunda queda brusca nas redes de Doria parece coincidir com a desastrosa ação na Cracolândia, que feriu gravemente os Direitos Humanos, piorando uma situação delicada que exigiria sensibilidade. Até mesmo a ONU criticou a brutalidade inconsequente, e Doria foi perdendo interação aos milhões.

No segundo semestre, uma série de desastres se somaram para desgastar a imagem do prefeito: comportamento pueril ao comemorar condenação do Lula; denúncias contra a prefeitura pelo Ministério Público, como a da Máfia da Cidade Limpa; as viagens constantes para projeção pessoal; a percepção generalizada de que a prefeitura falhava até para consertar semáforos e o episódio grotesco da Farinata.

Em menos de um ano, Doria desagradou até mesmo os que no início contavam com ele. Hoje fica evidente que esse tucano teve um voo de galinha.