As veias que pulsam na América: 50 anos sem Che

Há exatas cinco décadas, Ernesto Guevara de La Serna morria aos 39 anos no interior da Bolívia, vítima de uma emboscada montada pelo exército do país em questão, com apoio da CIA. Morria o homem, permanece o símbolo da solidariedade humana, perpetuado por quem doou sua própria vida à luta pela justiça na América Latina.

Che Guevara foi, antes de tudo, um romântico, sonhador, um verdadeiro revolucionário. O que pensar de um jovem médico argentino que aos vinte e poucos anos subiu o Cone Sul em busca de conhecimento: seu próprio conhecimento e o do continente. Ao sentir a miséria que violentava as populações, irrompia o sentimento de revolta social. Não havia teoria política de ação prática que o guiava na época, apenas a certeza de que algo deveria ser feito.

Em meados dos anos 1950, no México, conheceu os irmãos Raul e Fidel Castro. Com eles, passou a participar do Movimento de 26 de Julio – data em que, no ano de 1953, Fidel liderou uma investida contra o quartel de Moncada para libertar presos políticos da ditadura de Fulgêncio Batista.

Os revolucionários organizados no México cruzaram o mar no conhecido Granma, com pouco mais de 50 homens. Os sobreviventes da cruzada marinha refugiaram-se nas serras, de onde desceram em 1959 para conquistar, ao lado do povo, o poder político. Esse é o evento político mais importante da América Latina no século XX. Nas barbas do imperialismo norte-americano, o heroico povo cubano assumiu as rédeas do seu próprio futuro.

Che, guerrilheiro destemido, assumiu funções de enorme responsabilidade no governo, como presidente do Banco Nacional e ministro da Indústria. No entanto, seu brio revolucionário dizia que seu lugar era o de levar adiante revoluções. Assim, foi para o Congo ajudar na luta de independência daquele país. De retorno a Cuba, vestiu-se de novo para a guerrilha. Formulou a teoria do foco guerrilheiro, pela qual um grupo de revolucionários deveria investir contra os donos do poder, ganhar o apoio da população camponesa e criar um exército capaz de fazer triunfar a revolução.

Che uniu o marxismo ao internacionalismo latino-americano. Sua política era construir o socialismo. Foi para a Bolívia com esse propósito. Lá tombou nas mãos de Gary Prado. O corpo. Tornado mito, a luta de Ernesto pode ser distorcida de muitas maneiras. O próprio capitalismo, adversário número um do revolucionário, se apropriou de sua imagem para estampá-la em camisetas e souvenires. Queriam trazer para os seus produtos a “marca” da rebeldia. Ocorre que a rebeldia de Che é a do humanismo. Aquela que não se dobra diante do ilegítimo e do inaceitável. Eis a razão que faz com que a presença do argentino romântico continue presente e inspiradora de lutas em todas as partes do mundo.

As veias abertas do nosso continente pulsam a construção de um novo mundo. Che Guevara foi um dos que muito contribuiu para isso. Nesses 50 anos de sua morte, nós dizemos “Che vive!”.