O deputado federal Ivan Valente, o deputado estadual do PSOL no Rio de Janeiro, Marcelo Freixo, e toda a militância do partido participaram nesta quarta-feira (20/6) da Marcha dos Povos, que reuniu mais de 50 mil pessoas, cobrindo a avenida Rio Branco no Centro do Rio de Janeiro, desde a Candelária até a Cinelândia. A mobilização global convocada pelo Grupo de Articulação da Cúpula dos Povos e engrossada por diversos movimentos e pela população do Rio de Janeiro foi o marco do levantar das vozes dos povos de todo o mundo contra o teatro barato encenado na conferência oficial, a Rio+20, por chefes de Estado e grandes corporações, incapazes de promover justiça social e ambiental.
Para Ivan Valente, a forte mobilização popular explicitou o quanto os povos de todo o mundo estão insatisfeitos e indignados com o modelo predatório de desenvolvimento implementado em todo o planeta e com o rumo das negociações feitas pelos chefes de Estado na cúpula oficial da Rio+20.
“O documento é fraco e insuficiente. Revela, que, mais uma vez, os ricos não querem pagar pelo preço da destruição que praticaram no planeta. Ao mesmo tempo, a maior parte dos governos se recusa a assumir compromissos concretos, com prazos e metas, para barrar a degradação em curso. Tudo isso mostra que a única saída para este impasse é a mobilização dos povos nas ruas”, afirmou Ivan Valente.
O dirigente da Via Campesina, João Pedro Stédile, alertou que os grandes poluidores, usurpadores dos recursos naturais dos povos, que destroem a vida na Terra, tem “nome e sobrenome: o capitalismo, as grandes transnacionais e os bancos!” Para Stédile, o momento de crise do capitalismo faz com que esses atores fiquem ainda mais gananciosos. “Avançam para querer se apoderar dos recursos do mundo, para se protegerem da crise e, em seguida, com a privatização da terra, água e até do ar (com os créditos de carbono), poderem retomar seus ciclos de usurpação”, explicou.
Os gritos de todas as comunidades, movimentos e povos em luta foram ouvidos ao longo da manifestação, que pautou o fim deste sistema de exploração do trabalho e dos recursos naturais até esgotá-los, a construção de novos paradigmas, como a alternativa da Agroecologia na alimentação do planeta, os direitos, culturas e demandas dos povos.
Os milhares de homens e mulheres, camponeses, urbanos, de todos os confins do planeta faziam coro contra a “economia verde”, proposta dos bancos e chefes de Estado para o planeta: o capitalismo travestido de sustentabilidade. Iniciativas como os REDD ou mesmo a farsa dos créditos de carbono, que financeirizam a própria vida e o meio ambiente, foram rechaçadas pelas populações que ora convergem para uma plataforma mundial de soluções apresentadas e já praticadas pelos próprios povos do mundo para “esfriar o planeta” a partir da agricultura camponesa e um novo marco econômico.
Para Elizabeth Mpofu, que veio do Zimbábue na delegação da Via Campesina Internacional, “a Rio +20 deveria se chamar Rio -20! A economia Verde não é solução, pois somente serve às transnacionais, não respeita os Direitos Humanos, não respeita as gentes. Cria, por sua vez, uma agenda de destruição. Nós vamos destruir esta agenda”.
Alberto Achito, indígena emberá da Colômbia, dirigente da Organização Nacional Indígena da Colômbia (Onic), integrante da Caoi, manifestou que os presidentes que se encontram em Rio+20 não levam em conta as vozes do povo. “O presidente Santos tem um modelo energético extrativista e fala dos objetivos do milênio. Não lhe interessa o que o povo precisa, só as concessões mineiras, se levar os resguardos indígenas, o água e nos despojar de tudo”, denunciou.
Já Nancy Iza, coordenadora de Mulheres Caoi, disse que a marcha global foi um esforço de todas as vozes diversas que se uniram na Cúpula. “Acredito que não haverá mudanças reais no documento final da Rio+20, os presidentes não mudarão coisas para incluir as propostas de todos os povos”, advertiu.
* Com informações da Cúpula dos Povos/Via Campesina/Convergência de Comunicação da Cúpula dos Povos – Coordenação Andina de Organizações Indígenas (Caoi). Foto interna: João Zinclair. Foto da capa: Reuters





