Partidos defendem aplicação de projeto já em outubro

O Estado de S. Paulo
25 de maio de 2010 | 0h 00

Se a reforma política é um tema controverso, a aplicação do Ficha Limpa mesmo antes da sanção presidencial – independentemente de qualquer polêmica jurídica sobre o teor da emenda de redação do Senado – é pacífica, a julgar pelas declarações dos debatedores que participaram do encontro.

Praticamente todos os partidos defenderam que ela valha para as eleições de outubro. O PPS e o PV já chegaram a colocar o tema em resoluções internas das legendas, o que obriga estes partidos a seguí-la, sem hesitações.

Waldomiro Ramos, do PTB, afirmou que o seu partido já tem exigido dos candidatos a obter legenda que apresentem uma série de documentos para conseguir o registro. “Não queremos que o partido sofra consequências junto ao Judiciário por causa dos candidatos”, justificou.

Carlos Sampaio, do PSDB, defendeu a tese de que negar legenda a criminosos deveria ser uma obrigação dos partidos. “Evitar que bandido concorra deveria ser natural. A aprovação do Ficha Limpa representa um reencontro do Congresso – que em geral anda na contramão – com a sociedade”, comemorou.

Iniciativa. Ivan Valente, do PSOL, revelou que a militância do seu partido saiu às ruas para ajudar a coletar assinaturas para aprovar o Ficha Limpa, que chegou à Câmara com 1,6 milhões de assinaturas de eleitores e obteve outras 2 milhões pelo site www.aavaz.org, especializado em mobilização eletrônica. “Temos muito orgulho de termos participado desta luta, até porque o projeto foi visto com grande ceticismo no início”, disse.

Ricardo Vita Porto, representante do PMDB, explicou que o seu partido já tem tomado uma série de providências para evitar a candidatura dos chamados fichas-sujas, candidatos com condenações na Justiça por uma série de crimes listados no projeto Ficha Limpa como improbidade administrativa. “Por meio de decisões internas, o PMDB tem exigido uma série de documentos que comprovem que o futuro candidato não tenha problemas legais”, destacou.

Marco Antonio Mroz, do PV, contou que a legenda copiou o texto do projeto e introduziu seus termos no estatuto da agremiação, o que torna sua implementação obrigatória no âmbito interno.

Edinho Silva, do PT, também defendeu o projeto, que encontrou como obstáculos em um primeiro momento na Câmara parlamentares do PT e do PMDB. “Para nós, do PT, essa lei representa um enorme avanço. Tanto que o partido, por meio do deputado José Eduardo Martins Cardozo (relator do projeto) se empenhou em sistematizar um projeto que resolvesse todas as contradições da versão original.”

Para Pedro Bigardi, do PC do B, um dos efeitos imediatos da nova lei é aumentar o cuidado das legendas com seus candidatos. “Vai aumentar, sem dúvida, os critérios internos das agremiações. Acho que os partidos serão bem mais cuidadosos na hora de escolher seus candidatos.”

Validade. A determinação de que o projeto valha para outubro, mesmo que não tenha decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesse sentido foi praticamente unânime entre os representantes de partidos.

Eliseu Gabriel, que representou o PSB no debate, afirmou que a simples aprovação do projeto não representa nem de longe o fim da corrupção eleitoral no País. “Não podemos ter essa ilusão. Apesar de todos os controles e punições, todo mundo sabe que a compra de votos corre solta no Brasil. É necessária uma luta cultural para combater esse problema”, alertou. / M.A.

Líderes divergem sobre responsável por mudança

O Estado de S.Paulo
25/05/2010

A participação direta de um presidente recém-eleito para fazer a reforma política foi um ponto que causou forte polêmica durante o debate. Roberto Freire, do PPS, defendeu que nem Lula nem FHC quiseram comprar a briga da aprovação da proposta, um tema não consensual entre parlamentares. “Não é que o presidente não queira, mas ele pensa assim: por que vou dividir a minha base? Assim, Lula não quis levar adiante a reforma”, comentou. Para o ex-senador, um presidente logo após sua diplomação teria força política e apoio para tocar a reforma.

Edinho Silva, do PT, defendeu o presidente. “Não é correto cobrar do presidente que ele faça a pauta do Congresso. Lula assumiu em um momento de grande instabilidade e hoje temos uma política de inclusão social que trouxe à economia 25 milhões de brasileiros”, argumentou. O dirigente petista fez questão de lembrar que o governo FHC também não fez a reforma política, tema recorrente na história parlamentar brasileira.

Discordância. Pedro Bigardi, do PC do B, e Waldomiro Ramos, do PTB, contestaram a posição do presidente do PPS, que defendeu o protagonismo do Executivo na questão. “Não podemos rebaixar o papel do Congresso, que precisa ser protagonista, nesta questão. Essa é uma tarefa do Legislativo e, por isso, discordo respeitosamente do senador”, disse Bigardi. Já o petebista considera uma “ingerência indevida” do Executivo sobre o Legislativo a participação de um presidente em um assunto que diz respeito a outro poder, que deveria ser autônomo e harmônico com o Executivo. “Não há dúvidas que se trataria de uma enorme ingerência neste caso.”

Freire se defendeu: “Não se trata de ingerência, mas de liderança. Um presidente que queira a reforma política pode obrigar o Congresso a se organizar nesse sentido”, disse. Por isso, afirmou, o presidente deve ser criticado por não ter exercido sua liderança para garantir a aprovação da proposta. “É por essa razão que se faz a crítica a Lula e as governos anteriores. O presidente teve dificuldades para fazer a reforma e não enfrentou os obstáculos”, questionou.

Na opinião de Edinho, Lula não poderia ter cuidado dessa questão ao mesmo tempo em que enfrentava outras grandes dificuldades do País. “O presidente enfrentou uma das mais graves crises econômicas da história. O próprio cenário dessa mesa, com tantas opiniões divergentes sobre o tema, demonstra a dificuldade de se fazer uma reforma política”, argumentou.

Ivan Valente, do PSOL, lembrou que os partidos precisam cumprir o que prometem. “Não pode falar uma coisa e fazer outra. Na reforma eleitoral de 2006, várias coisas foram proibidas, mas não se votou o teto de campanha, embora houvesse um acordo nesse sentido.”

Convidados, o PP, do deputado federal Paulo Maluf, e o PDT, do também deputado Paulinho da Força, não mandaram representantes ao debate. Ambos têm representação na Câmara federal. / M.A.

Ficha Limpa deve iniciar reforma política ampla

Agência Estado

O projeto Ficha Limpa deve ser parte de uma reforma política mais ampla que inclua o financiamento público de campanhas. Este foi o principal consenso entre os representantes de dez partidos políticos paulistas com assento na Câmara que participaram de debate na sede do “Grupo Estado” na sexta-feira.

O encontro discutiu o Ficha Limpa e sua aplicação prática já para as eleições de outubro. O projeto – aprovado na semana passada pelo Senado – foi enviado para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o que deve ocorrer nos próximos dias.

Outro tema que dominou o debate foi a possibilidade de haver um compromisso dos pré-candidatos à Presidência em fazer uma reforma política logo no início do governo. “Vamos levar este compromisso ao nosso pré-candidato José Serra (PSDB)”, afirmou o presidente do PPS, Roberto Freire. O deputado Carlos Sampaio, do PSDB, disse não ter dúvidas de que o tucano levará adiante a proposta.

O presidente do PT estadual, Edinho Silva, afirmou que a reforma política também é uma prioridade da pré-candidata Dilma Rousseff (PT), assim como a tributária. “É necessário, entretanto, que a sociedade seja mobilizada nesse sentido”, ponderou.

A secretária executiva do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), Jovita José Rosa, já havia dito ao jornal “OEstado de S. Paulo” em entrevista há 15 dias que a reforma política será a nova luta das 44 entidades – entre as quais a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) – que fizeram o Ficha Limpa.

“Caso o Congresso não faça a reforma, esse será o próximo tema de uma lei de iniciativa popular”, assegurou. O MCCE já aprovou, além do Ficha Limpa, a Lei 9.840, que pune venda de votos e foi responsável pela cassação de 600 políticos desde 2002.

Dúvidas – Embora a reforma política seja vista como um tema fundamental para debate no Congresso, os discursos demonstraram que não há consenso sobre como ela deve ser.

O financiamento público de campanhas com a criminalização do financiamento privado parece ser a única questão consensual. Praticamente todos os representantes dos partidos disseram considerar que o financiamento privado das campanhas é a maior fonte de corrupção do Legislativo brasileiro

“A empresa que financiou o candidato depois vai colocar argolas e dizer o que o parlamentar deve fazer. O financiamento público garante autonomia ao deputado”, defendeu Ivan Valente, do PSOL. O ex-senador Roberto Freire concordou com o deputado. “Até por uma questão numérica o financiamento público é melhor. Hoje são milhares de candidatos para a Justiça fiscalizar. Com financiamento público, serão apenas 30 partidos”, afirmou. “Claro que pode haver caixa 2, mas o controle é maior.”

De resto, há dúvidas sobre votação em lista ou distrital e até mesmo sobre a forma de se fazer a reforma política, se com o Congresso atual ou por meio de Constituinte exclusiva.

“Não há consenso nem nas legendas sobre o tema. O deputado do nosso partido, Ronaldo Caiado, um ardoroso defensor do financiamento público, apresentou a proposta, que não seguiu adiante. Mas nem ele próprio ou suas ideias são consenso no partido. Afinal, qual reforma queremos?”, questionou o deputado paulista Guilherme Campos, do DEM.

Representante do PMDB, o advogado Ricardo Vita Porto resumiu discordâncias sobre o assunto. “Voto em lista tira a liberdade de escolha do eleitor. O financiamento público, por sua vez, não impede o privado. O ideal é o voto distrital”, argumentou.

Constituinte – Pedro Bigardi, do PC do B, disse que o tema é controverso: “Há enorme conjunto de polêmicas.” Marco Antonio Mroz, representante do PV, defendeu uma Constituinte exclusiva para tratar da reforma. “Com esse grau de contaminação que o atual Congresso tem, não dá para se discutir a reforma”, disse.

O tucano Carlos Sampaio também apontou questões polêmicas no financiamento público. “Há uma visão dúbia sobre o assunto. A sociedade pode ficar indignada porque pode considerar que pagará (as campanhas), mas continuará existindo o (financiamento) privado, como imaginam alguns mais céticos.

Fórum - Edinho Silva, do PT, sugeriu que o “Grupo Estado” organize um fórum permanente dos partidos para discutir a reforma política. “O Estado, que demonstrou liderança em todo o processo do Ficha Limpa, assim como a Rádio Eldorado, poderia usar sua força para levar adiante essa proposta”. Ele foi apoiado por representantes dos partidos.

Ivan Valente defende financiamento público e Reforma Política em debate no Estadão

Nesta sexta-feira (21/05), o jornal O Estado de S.Paulo e a Rádio Eldorado promoveram um debate sobre o projeto Ficha Limpa, aprovado na última semana no Senado Federal, entre dez partidos políticos. Representando o PSOL, o deputado federal Ivan Valente relatou a batalha travada na Câmara, em Brasília, para que o projeto não fosse alterado em sua essência, mas que fosse aperfeiçoado em pontos que se mostravam necessários.

“Havia muita descrença que o Ficha Limpa fosse aprovado. Fomos um dos primeiros signatários e fomos para as ruas coletar assinaturas em defesa do projeto. Este é um exemplo de que só a pressão popular vence a resistência de interesses econômicos e pragmáticos. Seria obrigação dos partidos fazer esta triagem, mas isso não acontece. O PSOL já faz isso, porque é um partido programático e ideológico”, afirmou. “Por outro lado, a tipificação dos crimes e a inclusão da decisão em segunda instância foram fundamentais para evitar a criminalização dos movimentos populares. Esta é uma matéria de cunho republicano”, acrescentou Ivan Valente.

Para a maioria dos participantes do debate, a mudança feita pela emenda do senador Francisco Dornelles (PP-RJ) não interferirá no objetivo final do Ficha Limpa, porque será no momento do registro das candidaturas, em 05 de julho, que será feita a aferição: quem tiver sido condenado em segunda instância pelos crimes abordados no Ficha Limpa, não poderá se candidatar.

Outro ponto positivo levantado sobre o projeto é o aumento da punição por crimes eleitorais. Antes, as penalidades eram brandas para crimes cometidos durante as campanhas. “Agora, quem for condenado por abuso do poder político e econômico na campanha também ficará inelegível no pleito em andamento e por mais 8 anos”, explicou Ricardo Porto, advogado do diretório estadual do PMBD.

Ponta do iceberg
Para Ivan Valente, a aprovação do Ficha Limpa é a ponta do iceberg da Reforma Política, ainda não realizada no país. O deputado criticou o financiamento privado das campanhas eleitorais como raiz da corrupção no Brasil e defendeu o financiamento público exclusivo de campanha como primeiro ponto desta reforma mais ampla, urgente para a política nacional.

“No financiamento privado, aquele que financia depois vai botar argola no pescoço do candidato eleito. Isso tira a soberania dos mandatos”, afirmou. O representante do PT no debate, o presidente estadual do partido, Edinho Silva, concorda: “No momento da disputa do voto, o partido esquece o programa. O financiamento público dará mais autonomia ao candidato, tornará o debate mais programático”, disse.

“O desgaste dos políticos é grande e as pessoas pensam: “eles já são corruptos e você ainda vai fazer financiamento público de campanha”? Mas se considerarmos os recursos desviados com a corrupção, o financiamento público sai mais em conta para os cofres brasileiros”, afirmou Ivan Valente. “Seria necessária uma campanha pública, com mobilização popular e apoio da mídia para alcançarmos o financiamento público. Mas há vários setores que não concordam com esta tese. E aí a corrupção continua”, acredita.

O deputado federal Carlos Sampaio, do PSDB, pondera: “uns dizem que o financiamento público de campanha garante paridade na força com que cada candidato se coloca na disputa. Outros, mais realistas, dizem que a população, de forma indireta, vai contribuir com as campanhas e, de forma oculta, o financiamento privado vai continuar”.

Para Ivan Valente, doação por fora é caixa 2 – o que é crime. “Então é uma postura que tem que ser criminalizada. É preciso garantir punição para quem financia e para quem recebe”, acrescentou. “Mas é necessário falar e fazer. A defesa do financiamento público tem que ser materializada na reforma política, Em 2006, votamos a reforma eleitoral, que proibiu até usar boton, mas não proibia contratar milhares de cabos eleitorais e não estabelecia um teto de campanha. Nós acordamos, entre todos os líderes dos partidos, que em junho de 2006 votaríamos a lei do teto eleitoral. E o que fizeram? Foi todo mundo pra casa, pegou financiamento e o PSOL ficou lá sozinho bradando no plenário. Essa é a realidade”, criticou.

A proposta do presidente nacional do PPS, Roberto Freire, é cobrar o envolvimento do próximo Presidente da República com a pauta da Reforma Política, para garantir que o debate de fato aconteça no Congresso Nacional. O dirigente do PV Marco Antonio Mroz defendeu a convocação de uma Assembleia Constituinte para fazer valer as reformas.

O debate abordou ainda temas como fidelidade partidária, voto em lista e voto distrital. Também participaram do encontro o deputado estadual pelo PCdoB Pedro Bigardi; Waldomiro Ramos ex-vereador e membro da executiva estadual do PTB; Eliseu Gabriel, vereador e membro da Executiva Estadual do PSB; e Guilherme Campos, deputado federal e membro da Executiva Nacional do DEM.

CLIQUE AQUI para assistir ao vídeo de uma das intervenções do deputado federal Ivan Valente no debate.

Ficha Limpa terá semana decisiva em Brasília

Depois de aprovado na Câmara dos Deputados, o projeto Ficha Limpa, que impede a candidatura daqueles que foram condenados em segunda instância por crimes graves, contra a administração pública, a saúde e o meio ambiente, terá uma semana decisiva em Brasilia.

O projeto tramita agora no Senado Federal, onde, apesar das sinalizações de que poderá ser aprovado rapidamente, enfrentará muitos obstáculos – incluindo a oposição direta de senadores já condenados pela Justiça. O desafio é garantir a aprovação do texto até 5 de junho, para que suas regras sejam válidas já no processo eleitoral deste ano.

Por isso, o PSOL segue nas ruas, coletando assinaturas da população em defesa da votação imediata no Ficha Limpa no Senado. Nesta segunda-feira (17/05), o mandato do deputado federal Ivan Valente esteve no centro de São Paulo, na esquisa na Rua do Comércio com a Rua XV de Novembro.

Ivan Valente dialogou com a população e reforçou a importância da pressão popular pela rápida aprovação do projeto. O deputado também lembro que o Ficha Limpa pode abrir as portas para a verdadeira Reforma Política de que o país precisa. “É preciso garantir o financiamento público exclusivo de campanha, para que o poder econômico não tenha poder decisivo nos processos eleitorais e para que a corrupção seja combatida em sua raiz”, afirmou.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que se dirigia a uma atividade na Bolsa de Valores, assinou o abaixo-assinado do PSOL.

Confira abaixo as fotos da atividade desta segunda no Centro de São Paulo.

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