Governo de SP justifica presença policiais à paisana em protesto de professores

Em abril passado, o Mandato do Deputado Federal Ivan Valente enviou um ofício à Secretaria de Segurança Pública de São Paulo questionando o governo estadual acerca da presença de policiais militares à paisana em uma das manifestações da greve dos professores da rede estadual de ensino. No dia 26 de março, o protesto realizado pelos docentes em frente ao Estádio do Morumbi terminou em confronto com a PM, e dezenas de professores foram feridos. Dias depois, veio à tona a informação de que havia policiais à paisana entre os manifestantes. Esta semana, o ofício do deputado Ivan Valente finalmente foi respondido.

Encaminhado ao mandato por Jayme Gimenez, subsecretário de Assuntos Parlamentares, por determinação do Secretário Chefe da Casa Civil, Luiz Antônio Guimarães Marrey, a resposta foi elaborada pelo Comandante Geral da Polícia Militar, Alvaro Batista Camilo, a pedido do Secretário da Segurança Pública, Antonio Ferreira Pinto. No documento, o Comandante Geral apresenta os argumentos que, na avaliação da PM, embasam e justificam a presença destes policiais na manifestação.

Ele cita o Artigo 144 da Constituição Federal, que afirma que às Polícias Militares cabem a polícia ostensiva e a preservação da Ordem Pública, entendida como “a situação de tranqüilidade e normalidade que o Estado assegura – ou deve assegurar – às instituições e a todos os membros da sociedade”. E, ao falar dos limites da atividade policial preventiva, afirma que, “para prevenir eficazmente a prática de crimes”, a polícia “tem de recorrer a meios por vezes imprevisíveis, que se oponham com extrema mobilidade e sensibilidade aos expedientes cogitados por meliantes”. O documento ainda afirma que a “Polícia Militar tem a incumbência de impedir “os danos sociais” e para tanto deve agir com os meios que lhe aprouver, ostensivamente ou não”.
“Assim, em que pese a atividade de polícia ostensiva se caracterizar pelo uso do fardamento, viatura e equipamentos, de modo que o policial militar ou a fração de tropa sejam identificados de relance, nada obsta de que sejam adotadas outras medidas para obter os dados essenciais à tomada das decisões em uma área tão complexa como é a ordem pública”, afirma o Comandante da PM.

Segundo a Polícia Militar, “ a atuação velada de policiais militares em manifestações tem como objetivo fornecer dados essenciais para decisão dos comandantes de polícia quanto ao emprego do policiamento”.
“Preservar a ordem pública, opondo-se à desordem, existente ou iminente, buscando manter a organizações social através da preservação da legalidade e moralidade das relações sociais e econômicas, seja entre particulares ou para com o Estado, protegendo as pessoas, o patrimônio, o trabalho, as atividades em geral, o funcionamento dos serviços públicos e o meio ambiente”, diz o documento.

Sigilo absoluto

Em relação a um segundo questionamento feito pelo deputado Ivan Valente, referente à quantidade de policiais militares à paisana presentes na manifestação, a Polícia Militar argumenta que, “por se tratar de atividade de natureza sigilosa, amparada pela legislação federal, a divulgação de tais dados pode comprometer as atividades desenvolvidas por eles, inclusive no tocante a futuras operações. A divulgação da quantidade de policiais militares representa um sério risco aos serviços essenciais que a Polícia Militar presta à sociedade, além de expor as táticas utilizadas pela Instituição para obter dados destinados, única e exclusivamente, ao processo decisório que visa, na sua essência, evitar o confronto com os manifestantes.”
O governo de São Paulo também se recusou a fornecer o nome e número de registro dos policiais militares à paisana na manifestação. Disseram que esta informação não pode ser respondida, “tendo em vista a necessidade de preservação de suas identidades e da segurança. Atender ao requerido colocaria em risco os integrantes de tais serviços. Seria por à disposição de pessoas estranhas, e até de infratores comuns, dados vitais sobre os policiais militares que têm a seu cargo tão espinhosa missão. Nessa atividade, como se sabe, é absolutamente essencial o sigilo sobre a identidade dos profissionais”.

Por fim, explicou que “uma polícia moderna exige uma atividade de inteligência para orientar suas ações, tanto para combater o crime organizado como para emprego em operações voltadas à preservação da ordem pública”.
Distorção
Na avaliação do deputado federal Ivan Valente, por mais que o emprego de policiais à paisana esteja entre as prerrogativas do funcionamento da Polícia Militar, ele só se justifica, como o próprio documento enviado pelo governo estadual demonstra, em casos de combate ao crime e de distúrbio da ordem pública.
“Ou seja, o governo de São Paulo, para defender este tipo de ação, parte do princípio de que professores são bandidos e que uma manifestação pacífica e legítima, durante uma greve também legítima, representa ameaça à ordem pública. Não é à toa que expressões como “meliantes” e “infratores comuns” são citadas no documento. É a distorção completa do que entendemos e defendemos como o direito de se lutar por direitos”, afirmou Ivan Valente.
O mandato do deputado federal encaminhará o ofício com as respostas do governo de São Paulo às entidades e sindicatos que estavam à frente da greve dos professores de São Paulo.

Convenção estadual do PSOL homologa candidatura do Professor Paulo Bufalo ao governo de SP

Cerca de 400 pessoas participaram da Convenção Eleitoral Estadual do PSOL São Paulo na manhã deste sábado, 19 de junho, no Sindicato dos Professores da Rede Municipal de São Paulo, no Bom Retiro – região central. Durante o evento foi oficializada a candidatura de Paulo Bufalo pela legenda ao governo do Estado. Também estiveram presentes o deputado federal Ivan Valente, os deputados estaduais Raul Marcelo e Carlos Giannazi e o pré-candidato do partido à presidência da República, Plínio Arruda Sampaio.

Com início às 10h30 o evento foi aberto com as falas de Miguel Carvalho, presidente do PSOL –SP, e dos três parlamentares que compunham a mesa. Todos enfatizaram a necessidade de organização da militância para a disputa eleitoral e ressaltaram a ampliação do espaço conquistado pelo PSOL na política brasileira, destacando a atuação do partido em nível estadual e federal.

Paulo Bufalo enfatizou em seu discurso o objetivo da legenda em ampliar a bancada na Assembleia Legislativa de São Paulo e de garantir a continuidade do mandato de Ivan Valente na Câmara federal. “Não tenho dúvida que o PSOL é o polo mais avançado de um projeto socialista para nosso Estado e nosso país”, afirmou o pré-candidato. Além disso, citou os pontos que basearão sua campanha, entre eles: a reforma agrária, distribuição de renda, fim da criminalização dos movimentos sociais e da violência arbitrária do Estado contra a juventude pobre e negra, a priorização das políticas sociais, a valorização do patrimônio público que restou do processo de privatização implantado pelo governo do PSDB, entre outros.

O evento foi fechado com a fala de Plínio que estimulou o trabalho dos militantes presentes e homenageou Bufalo “É com o maior orgulho que digo que Paulo é o meu candidato ao governo do Estado de São Paulo”.

Após a convenção, por volta das 13h, deu-se início ao Seminário Regional Sudeste com o objetivo de debater o programa de governo que o partido apresentará à sociedade brasileira nas eleições presidenciais de 2010. Sob o lema “Um programa socialista, ecológico e popular para o Brasil”, o PSOL está se mobilizando em todo o país nesse sentido, sendo que a atividade já ocorreu em três regiões: Centro-Oeste (13 e 14 de maio), Nordeste (22 e 23 de maio) e Sul (28 e 29 de maio). Depois de São Paulo, ainda haverá a realização na região Norte (13 de julho), em Belém (PA). O pré-candidato à presidência da república pelo PSOL, Plínio Arruda Sampaio, está marcando presença em todas as atividades, que culminarão na realização do Seminário Nacional de programa de governo.

Paulo Bufalo
Paulo Bufalo é professor de escola técnica pública no Centro Paula Souza. Um dos mais importantes companheiros na construção e consolidação do PSOL no estado de São Paulo, é membro da executiva estadual do partido coordenando a Secretaria de Direitos Humanos, foi vereador em Campinas por dois mandatos e tem uma longa trajetória junto aos movimentos sociais, na luta por reforma agrária, no movimento sindical, na defesa da criança e do adolescente e na educação pública.

P-SOL ratifica nome de candidato ao governo de São Paulo

Agência Brasil | 19/06/2010 14:58

São Paulo – O PSOL homologou, na manhã deste sábado (19), a candidatura de Paulo Búfalo ao governo do Estado, mas ainda não definiu o nome do vice. Prevendo uma disputa “dura”, o professor e duas vezes vereador de Campinas (SP) aproveitou a convenção partidária para animar a militância, incentivando os afiliados a contribuir com a campanha tanto com dinheiro quanto com ideias.

Búfalo disse que se orgulha de pertencer a um partido que, apesar das dificuldades, é “forjado” coletivamente. “Um partido no qual as propostas coletivas superam as individuais”, definiu. Segundo o candidato, o P-SOL precisa ampliar sua bancada na Assembleia Legislativa para que possa garantir outro projeto político para São Paulo.

“Precisamos denunciar que continua no País a concentração de terra, renda, riqueza e poder. Que a juventude continua sendo exterminada nas periferias e que a pobreza e os movimentos sociais continuam sendo criminalizados”, disse Búfalo. Ele criticou a gestão atual, que, segundo ele, não tem possibilidade de oferecer “educação de qualidade”.

Além de deputados estaduais e federais e do candidato à Presidência da República pelo PSOL, Plínio Arruda Sampaio, o evento atraiu vários filiados que disputarão cargos eletivos em outubro próximo.

Segundo o presidente do diretório estadual do partido, Miguel Carvalho, o PSOL planeja lançar cerca de 100 candidatos à Câmara dos Deputados e 140 à Assembleia Legislativa. Para o deputado federal Ivan Valente (SP), os números são uma evidência do quanto o partido vem crescendo. “Há espaço político à esquerda para um partido consequente”, disse Valente.

Encerrada a convenção, à qual compareceram cerca de 400 pessoas, os filiados ao partido iniciaram um seminário para discutir os rumos da campanha.

DSC07049 Ocupação do Fórum João Mendes fortalece luta dos servidores da Justiça de São Paulo

Terminou no início da tarde desta sexta-feira (11/06) a ocupação do Fórum João Mendes, em São Paulo, por servidores do Judiciário. O prédio, localizado no centro da capital paulista, foi ocupado por mais de 100 trabalhadores, em greve desde o dia 28 de abril. A reivindicação principal da greve é o reajuste salarial de 20,16%; há dois anos a categoria está sem aumento. O movimento pede ainda melhorias nas condições de trabalho, contratação de mais funcionários e o fim do assédio moral.

A decisão da ocupação, que iniciou na noite de quarta-feira (09/06), veio após os desembargadores do Tribunal de Justiça (TJ) de São Paulo decidirem cortar o ponto dos servidores parados. A ocupação do Fórum João Mendes pedia a abertura de negociação com os grevistas. O movimento, no entanto, foi durante reprimido pela presidência do TJ, que impediu a entrada de alimentos e de água potável no edifício durante a ocupação.

No meio da tarde de quinta-feira (10/06), começou a negociação com os juízes auxiliares do TJ José Maria Camara Junior e João Batista Rebouças. Em nenhum momento o presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, Antonio Carlos Viana Santos, dialogou com os servidores.

O deputado Ivan Valente participou de todo o processo. “Pedimos que eles liberassem a entrada de água e comida. Os juízes chegaram a sinalizar que liberariam, mas a presidência do TJ não autorizou. No fim, a proposta dos trabalhadores de desocupar o prédio caso as faltas fossem abonadas – algo previsto inclusive no regimento dos servidores – também não foi aceita. Ou seja, houve muita intransigência e falta de disposição para a negociação por parte do Tribunal de Justiça”, criticou Ivan Valente.

Enquanto isso, do lado de fora do João Mendes, mais de 600 manifestantes acompanhavam as discussões. As negociações não obtiveram resultado e os grevistas permaneceram no Fórum durante a noite. No final da manhã desta sexta, uma assembleia interna, realizada pelos ocupantes, votou pela liberação do prédio. A greve continua.

“O movimento foi corajoso. A ocupação do João Mendes fortaleceu a greve e a recusa às negociações por parte da presidência do Tribunal de Justiça levaram outros fóruns do estado de São Paulo a paralisarem suas atividades”, avaliou Ivan Valente. “Na verdade, a não concessão de aumento aos servidores do Judiciário faz parte da linha de ajuste fiscal adotada pelo governo de São Paulo, que não quer reajustar o funcionalismo público. Não querem que o aumento dos servidores do Judiciário sirva de rastilho para outras áreas da gestão pública”, explicou.

O deputado também criticou a declaração feita pelo secretário da Casa Civil do Estado de São Paulo e ex-secretário da Justiça, Luiz Antonio Guimarães Marrey, de que a greve teria motivação eleitoral. “Virou mania do PDSB dizer que toda greve é política. É política sim, mas não é partidária. Por isso continuaremos aqui, em solidariedade ao movimento”, concluiu.

Veja abaixo as fotos da ocupação do Fórum João Mendes e das tentativas de negociação com o TJ de São Paulo.

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Fotos: Marcelo Aguirre