Por uma universidade pública

Por Francisco de Oliveria, Paulo Arantes, Luiz Martins e J.Souto Maior
Publicado originalmente na coluna “Tendências e Debates” da Folha de S.Paulo – 23/06/2010.

O reitor da Universidade de São Paulo publicou neste espaço (“Mecenato e universidade” , 10/6) artigo com alguns argumentos que precisam ser democraticamente contrapostos. Para ele, os problemas da USP partem de uma razão econômica.

A saída que expõe é uma contradição em termos: o ingresso de dinheiro privado para a melhoria da universidade pública. Para proteger a universidade pública, que é melhor que a privada, diz que a universidade pública deve abrir suas portas para o dinheiro privado.

No fundo, o que a sua solução esconde é a tentativa de privatizar o ensino público. Ora, não se tendo conseguido fazer com que as entidades privadas prevalecessem no cenário educacional, busca-se fazer com que o ensino público forneça o material humano necessário para os fins da iniciativa privada.

A dificuldade econômica pela qual passa a universidade pública é fruto de uma negligência proposital do Estado com o ensino público, que se pretende compensar com o investimento privado.

Este último cria, na verdade, uma perigosa promiscuidade que desvirtua a razão de ser do ensino público, que deve se voltar para os problemas sociopolítico- econômicos gerais do país.

Mas mais grave ainda é a forma pela qual se vislumbra tal “parceria”. Na Faculdade de Direito, ela se fez para duvidosas reformas arquitetônicas que nada acrescentaram à melhoria do ensino. Além disso, para se chegar a tanto, foram desrespeitados diversos preceitos da ordem jurídica. O que o reitor chama de “modernização” constituiu grave ilegalidade.

Cumpre resgatar o respeito à ordem jurídica, ainda mais à luz do grotesco episódio de transposição dos livros das bibliotecas departamentais, da noite para o dia, para um prédio desprovido de condições, e cuja devolução ao local de origem, por determinação do Ministério Público, vem se arrastando há mais de três semanas…

Tais ilegalidades justificariam um processo de improbidade administrativa contra o reitor, que, além do mais, em entrevista recente à Rede Bandeirantes, referiu-se à USP, faltando com o decoro acadêmico mínimo, como “terra de ninguém”, “tomada por invasores” e “assemelhada a morros do Rio de Janeiro”, em vias de “virar um Haiti”.

O grande passo que precisa ser dado pela USP é a sua reestruturação, buscando a democratização interna e externa, mediante o voto universal, condição para uma estatuinte e um processo rumo à superação do vestibular, visando o acesso universalizado à universidade pública, tal como é no México e na Argentina há quase um século.

O reconhecimento republicano da igualdade de voto e de cidadania de professores, estudantes e trabalhadores supõe o respeito pleno às manifestações dos servidores que legitimamente lutam por direitos.

A reitoria afirma que os trabalhadores em greve estão cometendo uma ilegalidade e comete o abuso de cortar o ponto de mil servidores, mirando com suas punições principalmente alguns de menor salário.

Mas a greve é um direito fundamental consagrado e, sobretudo, se justifica quando os trabalhadores são atingidos, na sua concepção, por ilegalidades cometidas pelo empregador. Negar a greve como um direito e fixar represálias ou coações constitui, por si, um grave atentado à democracia.

Todos os que prezam o regime democrático devem se alinhar com os trabalhadores da USP, que fazem história com suas lutas, contribuindo vivamente para a democratização da universidade, tal como os operários do ABC que, nos idos de 1978-80, desafiaram publicamente a repressão e levaram à reconstrução da ordem jurídica do país.

FRANCISCO DE OLIVEIRA é professor emérito da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP (FFLCH-USP).
PAULO ARANTES é professor da FFLCH-USP.
LUIZ RENATO MARTINS é professor da Escola de Comunicações e Artes da USP.
JORGE LUIZ SOUTO MAIOR é professor associado da Faculdade de Direito da USP.

plinio50 Convenção Nacional do PSOL oficializa nesta quarta-feira candidatura de Plínio à Presidência

Na próxima quarta-feira, dia 30 de junho, toda a militância do PSOL está convocada a participar da Convenção Eleitoral Nacional do partido, que ocorre na capital paulista. Na ocasião será lançada oficialmente a candidatura de Plínio Arruda Sampaio para a Presidência da República pela legenda. O evento acontece das 9h às 13h, na Assembleia Legislativa de São Paulo (Av. Pedro Álvares Cabral, 201).

Além de Plínio, estarão presentes no evento militantes, os parlamentares do partido e diversos intelectuais. “A convenção é a consolidação da candidatura e por isso é um fato importante. Eu espero que o evento seja caloroso e que participe o maior número possível de militantes, já que será um momento de preparação para participarem da campanha do PSOL”, afirma Plínio.

Apoio
Assim como ocorreu nem 2006, a candidatura do PSOL à Presidência da República nestas eleições se coloca como uma opção e uma necessidade à falsa polarização entre o PT e o PSDB/DEM, que têm na base de seus programas a salvação do capital diante da crise e ataques à classe trabalhadora. Nos últimos anos, o partido conquistou espaço e credibilidade, apontando essas semelhanças e fazendo oposição a esse projeto. Com isso vem aglutinando diferentes forças políticas e sociais.

Entre seus apoiadores está um grande grupo de intelectuais. A lista reúne mais de 40 nomes, muitos dos quais deverão estar presentes à Convenção. A intenção do PSOL é, além divulgar o apoio, convidar os acadêmicos para um diálogo, de forma que eles possam contribuir no debate programático do partido.

A greve dos servidores do TJ/SP e um dossiê de denúncias

Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados,

Vimos à tribuna para fazer uma denúncia séria. Participamos, há 15 dias, de grande manifestação dos servidores do Judiciário Estadual de São Paulo, que inclusive ocuparam o Fórum João Mendes. A negociação com o Tribunal de Justiça de São Paulo durou 8 horas. E houve grande intransigência na negociação de um direito dos trabalhadores: a reposição salarial de 2 anos de 20,18% reivindicada por eles. Passaram-se 15 dias e continua a mesma situação: os trabalhadores do Judiciário estão diariamente reunidos na praça. Hoje novamente houve uma grande assembleia, mas continua a intransigência.

Queremos, desta tribuna, pedir ao Presidente do Tribunal de Justiça, Desembargador Viana, e ao Governo do Estado de São Paulo, por meio do Secretário da Casa Civil Antônio Marrey, que abram a negociação com o Judiciário.

Mais do que isso, Sr. Presidente: trouxemos para cá um dossiê que nos foi entregue para ser levado ao Conselho Nacional de Justiça. Realmente existem denúncias de irregularidades. Há uma injustiça enorme entre o tratamento dado aos magistrados do Judiciário e o conjunto dos servidores.

Só para se ter uma ideia, os aumentos e gratificações concedidos ao servidores estão na escala de 12% enquanto os dos outros 88%. Mais do que isso: não se gasta nem o limite prudencial no TJ, da Lei de Responsabilidade Fiscal, que é 5,70%, quando se gasta apenas 4,56%.
A denúncia mais grave foi encaminhada ao Conselho Nacional de Justiça: um dossiê demonstrando que, com o auxílio-voto que alguns magistrados ganham para emitir outros pareceres, eles superam o teto do Judiciário. Esta a denúncia. É totalmente inconstitucional superar o teto do Judiciário dentro do próprio Judiciário, o que significa que o Conselho Nacional de Justiça precisa fazer justiça.

Por isso estamos assumindo o dossiê, protocolando-o no CNJ e solicitando audiência com o Presidente do Tribunal de Justiça, a fim de solucionar a greve dos servidores estaduais do Judiciário. Há muito tempo, também, o Judiciário Federal está em greve e há projetos tramitando nesta Casa.

Por isso o nosso apoio, a nossa solidariedade pela garra, pela fibra que tem manifestado os trabalhadores do Poder Judiciário.

Muito obrigado, Sr. Presidente

Ivan Valente
Deputado Federal PSOL/SP

13maio2010 Confira as fotos do 13 de Maio de Luta em São Paulo

Nesta quinta-feira, o deputado federal Ivan Valente e o pré-candidato do PSOL à Presidência da República, Plínio Arruda Sampaio, participaram do 13 de Maio de Luta, promovido em São Paulo por dezenas de movimentos populares. O ato marcou os mais de 120 anos de abolição inacabada no país e os quatro anos de impunidade de um dos episódios mais emblemáticos de violência policial contra a população afrodescendente: os Crimes de Maio de 2006.

Os movimentos pediram o desarquivamento e a federalização das investigações dos crimes praticados no episódio e o fim da faxina étnica praticada contra negros e negras no Brasil, sobretudo os jovens. O ato lembrou as recentes mortes de motoboys praticadas por policiais militares no estado de São Paulo. Dados da própria Secretaria de Segurança Pública do governo comprovaram que, nos últimos 12 meses, de abril de 2009 a março deste ano, o número de mortes provocadas por PMs em serviço em SP foi 54% maior do que nos 12 meses anteriores. Cresceu assustadoramente o número de pessoas mortas “em confronto com a polícia militar” ou em situações registradas como “resistência seguida de morte”.

O 13 de Maio de Luta protestou contra este cenário de extermínio da população negra e também rebatizou a Praça do Patriarca, no centro da capital, de Praça da Matriarca Dandara, numa homenagem à luta e resistência das mulheres negras.

Veja abaixo as fotos da atividade.

[nggallery id=34]

Ivan Valente critica violência policial e política de segurança pública em São Paulo

Em pronunciamento realizado nesta quinta-feira (06/05) na Câmara dos Deputados, o deputado federal lembrou dos quatro anos de impunidade dos crimes de maio de 2006 e da série de denúncias de tortura e assassinatos feita recentemente contra a PM.

“É preciso parar de travestir assassinatos de “mortes em confronto”; é urgente investigar homicídios, torturas e desaparecimentos e garantir punição para os maus policiais; não é possível tolerar abusos de agentes do Estado – como se seguíssemos num regime de exceção, onde toda forma de violação de direitos era autorizada e poderá, infelizmente, seguir impune”, disse.

Para Ivan Valente, é preciso ir além da repressão e investir mais em políticas preventivas e na investigação criminal; no diálogo com as comunidades e na participação da sociedade na implementação dessas políticas; e, por fim, no treinamento dos policiais, para garantir sua atuação dentro das regras estabelecidas por um sistema democrático.

“O futuro da nossa juventude e do nosso país dependem disso”, concluiu.

Leia abaixo a íntegra do discurso:

Senhor Presidente, Senhoras e Senhores Deputados,

Estamos em maio, e neste mês completaremos quatro anos de um dos episódios mais emblemáticos de violência policial na história recente de nosso país. Em 2006, após os ataques do PCC, a polícia de São Paulo promoveu uma “onda de resposta” que terminou no assassinato de cerca de 500 pessoas. A imensa maioria era de jovens, negros e pobres, executados sumariamente sem qualquer possibilidade de defesa. Segundo a própria Secretaria de Segurança Pública do governo estadual, o PCC foi responsável pela morte de 47 pessoas. Os demais entram no pacote da matança decorrente da contra-ofensiva da polícia, até hoje sem explicação e muito menos reparação.

Para marcar esta data, diversas organizações promoverão um grande ato no dia 13 de maio, pedindo o desarquivamento e a federalização das investigações dos chamados “crimes de maio” e o fim da “faxina étnica” praticada contra a população afrodescendente.

A manifestação marca quatro anos de impunidade, mas também acontece num período em que a divulgação de uma séria de dados comprova a falência da política de segurança pública implementada nos últimos anos no estado de São Paulo.

Acabam de vir à tona os números que revelam que, nos últimos 12 meses, de abril de 2009 a março deste ano, o número de mortes provocadas por PMs em serviço em SP foi 54% maior do que nos 12 meses anteriores. Ou seja, cresceu assustadoramente o número de pessoas mortas “em confronto com a polícia militar” ou em situações registradas como “resistência seguida de morte”. Somente no primeiro semestre deste ano, em comparação com 2009, saltamos de 104 para 146 mortes. Já o total de PMs mortos na mesma situação passou de três para cinco.

O aumento da violência policial não está apenas na impessoalidade dos números, mas em casos assustadores, como o do adolescente de 16 anos que, detido por roubar dois celulares, denunciou ser torturado e acorrentado no pescoço por policiais militares dentro de um carro do 43º Batalhão da PM. Aquele que seria seu parceiro no furto foi baleado no dia seguinte por policiais militares sem farda.

Também no mês passado, um motoboy foi encontrado morto, com marcas de tortura, depois de ser levado por PMs para um quartel também na Zona Norte da capital paulista. Doze policiais militares estão detidos para investigação. A mãe do motoboy, Eduardo, acredita que o filho, inocente, foi morto por ser negro.

As barbaridades praticadas por agentes do Estado, no entanto, não são isoladas. No litoral paulista, policiais militares que atuariam em um grupo de extermínio são os principais suspeitos de assassinatos em série registrados na Baixada Santista. Entre 17 e 26 de abril, 23 pessoas foram mortas na região. Nenhum crime foi esclarecido. A principal tese é de que os PMs pertençam à gangue “Os Ninjas” e que os crimes tenham começado após um policial da Força Tática ter sido executado por traficantes na periferia do Guarujá. Segundo testemunhas, os policiais que atuam no grupo usam capuz preto e atacam em dupla e em motos. Geralmente, as vítimas são executadas com tiros na cabeça.

Na madruga desta terça-feira, acompanhamos de perto mais um episódio de truculência da Polícia de São Paulo, que, numa ação totalmente ilegal, invadiu e ameaçou de morte os moradores de um acampamento dos atingidos por enchentes no Jardim Pantanal. Estamos cobrando respostas da Secretaria de Segurança Pública acerta de tal postura.

De fato, Senhor Presidente, nada justifica tamanha violência da polícia de São Paulo. Se o aumento da repressão letal fosse eficaz, os homicídios também não teriam crescido na capital. Neste mesmo ano de aumento do número de mortes pela polícia, a cidade de São Paulo apresentou um crescimento de 23% no número de homicídios. No primeiro trimestre do ano, foram mortas 376 pessoas, mais de quatro por dia. Em todo o Estado, foram 1.224 homicídios, uma alta de 7%. Em cidades do interior, o índice triplicou. Também cresceram o roubo a bancos e os seqüestros.

Ou seja, apesar de setores conservadores da sociedade e de parcela significativa do poder público defenderem o aumento da repressão – na tradicional linha “a Rota vai pra rua” –,  está claro que a violência não diminui quando a polícia mata mais. Tampouco é possível justificar o aumento de mortes pela polícia com o aumento da criminalidade. Houve momentos da história de São Paulo com violência maior que a atual e a polícia matando menos.

E contra fatos, Senhoras e Senhores Deputados, não há maquiagem da grande imprensa ou publicidade que resista. Não adianta mostrar à população os helicópteros, viaturas e equipamentos novos adquiridos pelo governo estadual se a população simplesmente não confia mais na polícia que tem, pelo simples fato de quem deveria agir para garantir a lei estar justamente atuando na contramão do que deve ser respeitado – seja atirando para matar, seja torturando, seja encobrindo crimes da própria corporação.

Este quadro demonstra a urgência de mudanças na polícia de segurança pública no estado de São Paulo. É preciso parar de travestir assassinatos de “mortes em confronto”; é urgente investigar homicídios, torturas e desaparecimentos e garantir punição para os maus policiais; não é possível tolerar abusos de agentes do Estado – como se seguíssemos num regime de exceção, onde toda forma de violação de direitos era autorizada e poderá, infelizmente, seguir impune.

E é preciso ir além da repressão, investindo mais em políticas preventivas e na investigação criminal; no diálogo com as comunidades e na participação da sociedade na implementação dessas políticas; e, por fim, no treinamento dos policiais, para garantir sua atuação dentro das regras estabelecidas por um sistema democrático. O futuro da nossa juventude e do nosso país dependem disso.

Muito obrigado.

Ivan Valente
Deputado Federal PSOL/SP

Contra os ataques da gestão Kassab ao meio ambiente e à represa de Guarapiranga

Senhor Presidente, Senhoras e Senhores Deputados,

Recentemente, estive na represa de Guarapiranga, na zona Sul de São Paulo onde, ao lado de integrantes do Movimento Garça Vermelha (Mogave), presenciei uma das mais recentes agressões da gestão Kassab ao meio ambiente na cidade de São Paulo: a construção de calçadas de concreto no Parque Nove de Julho, que deve ser inaugurado em quatro meses dentro da represa.

A justificativa da Prefeitura de São Paulo para as obras, que incluem a instalação de uma cerca ao redor do Parque, é prevenir a Guarapiranga de ocupações irregulares. A opção adotada, no entanto, viola princípios elementares de preservação do meio ambiente e, segundo o Ministério Público Estadual, desrespeita diversos pontos da lei.

A pista de concreto para caminhadas, por exemplo, foi construída em áreas inundáveis da represa, o que é proibido. Em épocas de cheia, peixes podem atravessar para o outro lado e, depois da baixa da água, morrerem ilhados. O Parque também ocupa uma Área de Preservação Permanente (APP), que não poderia sofrer este tipo de intervenção. De acordo com o MP, as construções são proibidas por lei tanto nas áreas inundáveis como nas APPs, que vão de 50 a 100 m da margem máxima que a represa pode atingir. Ou seja, dentro da própria represa nenhuma obra seria autorizada.

Para piorar, há uma denúncia de uso de saibro impermeável misturado a entulhos diversos e lixo como aterro suporte à construção do gradil do parque. Grande parte deste saibro e lixo já foi levada para a represa em conseqüência das chuvas, deixando entulhos à mostra e contribuindo para aumentar o assoreamento e contaminação das águas.

A Prefeitura tem a desfaçatez de dizer que uma calçada não é uma edificação – porque não tem cobertura – e que, portanto, estaria liberada. Isso é um crime, Senhor Presidente. A obra é grosseira, numa área de várzea da represa. O Código Florestal proíbe este tipo de obra e determina que qualquer intervenção em APPs seja previamente autorizada por órgãos ambientais. Uma área de matas ciliares também foi destruída.

Uma das possibilidades de reposta do Ministério Público à iniciativa da gestão Kassab em Guarapiranga é embargar a obra, porque ela estaria baseada em um licenciamento ambiental ilegal. O MP pode entrar como uma ação na Justiça contra a Prefeitura e até mesmo contra o funcionário que emitiu a licença ambiental, por improbidade administrativa.

A ação do Ministério Público foi motivada por duas representações contra as obras no Parque Nove de Julho, em delas encaminhada pelo Movimento Garça Vermelha (Guarapiranga em tupi). A representação gerou o Inquérito Civil de número 90/10, que está sob a responsabilidade da Segunda Promotoria do Meio Ambiente do MP, conduzido pelo promotor Darci Ribeiro.

Estaremos acompanhando o inquérito do Ministério Público e, nos próximos dias, solicitaremos uma audiência com o secretário do Verde e do Meio Ambiente da Prefeitura de São Paulo, Eduardo Jorge. Segundo o movimento, a gestão Kassab tem sido “truculenta” na relação com os moradores, que afirmam ter laços de história e de vida com a Guarapiranga.

Neste sentido, apoiamos e nos somamos à luta do Mogave, fundamental para reverter o crime que já foi cometido e evitar novos ataques ao meio ambiente na região. Por isso, manifestamos nossa contrariedade à construção de qualquer via de acesso ao futuro Parque Nove de Julho, assim como a construção de estacionamentos e o estabelecimento de comércio na orla do parque.

Também exigimos a transparência por parte dos representantes dos poderes públicos ao conjunto do projeto, incluindo as licenças ambientais e outros documentos de interesse público. O cumprimento das leis ambientais é algo inegociável e as águas da represa de Guarapiranga são um patrimônio público que, em hipótese alguma, pode ser degradado para fins eleitoreiros.

Muito obrigado.

Ivan Valente
Deputado Federal PSOL/SP

Polícia de SP ameaça e humilha vítimas de enchentes

vermelho.org.br >> São Paulo >> Notícias
4 de Maio de 2010 – 17h40

Nesta madrugada, oito viaturas invadiram o acampamento de moradores atingidos pelas enchentes na Zona Leste de São Paulo e agiram de forma truculenta com as famílias. Deputado federal do PSOL cobrou providências do secretário de Segurança Pública, que não sabia do ocorrido.

Por volta de 1h30 desta terça-feira (04/05), oito viaturas da Polícia Militar de São Paulo invadiram, sem amparo em decisão judicial, o acampamento Alagados do Pantanal, localizado na altura do número 900 da Rua Ozório Franco Vilhena, na Vila Curuçá, Zona Leste. A ocupação foi construída por famílias que sofreram diretamente as conseqüências do fechamento da barragem da Penha e da abertura da barragem do Alto Tietê, que, com o aumento das chuvas, inundaram a região do Pantanal e deixaram milhares de pessoas por 70 dias dentro d’água.

Oito policiais não identificados entraram no local e lá permaneceram por uma hora, ameaçando os moradores e chegando a cortar a energia elétrica do acampamento – o que não é papel da PM. Questionados sobre a legalidade de suas ações, disseram que podiam “fazer o que bem entendiam e que não precisavam de ordem judicial para nada”.

Agora pela manhã, as ameaças continuaram, com lideranças do movimento sendo impedidas de sair do local por policiais que permaneceram de plantão na entrada do acampamento, fazendo inclusive o uso de armas para bloquear o fluxo dos moradores.

O deputado federal Ivan Valente (PSOL/SP) entrou em contato com o secretário de Segurança Pública de São Paulo, Antônio Ferreira Pinto, que não sabia do ocorrido. A partir do relato feito pelo deputado, o secretário concordou que a ação da PM tinha sido ilegal e ficou de tomar providências.

“Os policiais atuaram de forma absolutamente ilegal, inconstitucional e truculenta. As famílias que estão acampadas já perderam tudo com as enchentes no início do ano e sofrem com o descaso da Prefeitura de São Paulo e a ausência de uma política habitacional para a população de baixa renda. Por isso, uma ação desta ordem da PM é inadmissível”, afirmou Ivan Valente, que seguirá em contato com a Secretaria de Segurança Pública até obter os devidos esclarecimentos sobre o ocorrido.

O sucateamento da carreira docente na Educação paulista

Diário do Grande ABC
04 de maio de 2010

Por Ivan Valente

Levantamento feito sobre os salários pagos aos professores nas redes de ensino mostrou que São Paulo ocupa a 14º lugar no quadro nacional. A greve destes trouxe à tona essa dura realidade, denunciando que, desde 2005, os reajustes estão abaixo da inflação e, de 2008 para cá, não houve qualquer alteração nos salários.

O atual quadro da educação em São Paulo é resultado do projeto implementado ao longo dos últimos 16 anos nas gestões PSDB/DEM. A queda no ranking dos salários e os péssimos resultados em tantos levantamentos não são algo circunstancial, mas sim consequência de uma política que não coloca em primeiro plano o direito à educação de qualidade para todos.

O secretário estadual, Paulo Renato, argumenta que o estado paga um salário inicial 80% maior que o determinado para o piso nacional do magistério. Tal argumento não justifica o congelamento de salários, considerando que o piso está abaixo do necessário. Apresenta ainda argumentos relacionados à contribuição de São Paulo para as receitas federais e o recebido pelo Fundo de Participação dos Estados. De fato é necessário rever a participação da União no financiamento da Educação Básica. Mas é preciso lembrar que a política de ajuste fiscal se estabeleceu durante o governo FHC, no qual Paulo Renato foi ministro, com a criação de mecanismos como a DRU, que retirou milhões da educação.

Ao argumentar que a política de bônus coloca os salários num patamar superior àquele apontado pela pesquisa, o secretário tenta enganar a opinião pública, fazendo parecer que o conjunto dos professores tem um ganho real maior que o do salário base. No entanto, apenas uma parte recebe o bônus, que não é incorporado aos salários e aposentadorias.

Tudo isso num quadro em que o professor é obrigado a assumir jornadas duplas para compensar o baixo salário e a atuar em salas com mais de 40 alunos, em escolas com problemas estruturais e sociais, sendo ainda responsabilizado por questões que não estão sob sua governabilidade. Pouco se fala dos responsáveis por manter a rede com 50% dos profissionais temporários; não realizar concursos públicos para suprir estas vagas e criar mecanismos que obrigam a uma enorme rotatividade nas escolas.

O fato de o estado com a maior economia ter apenas o 14º salário inicial para seus professores é reflexo direto de como está a educação paulista e da importância ela tem nas políticas públicas.

Ivan Valente é engenheiro e professor, e deputado federal pelo PSOL-SP.

Ivan Valente cobra governo de SP por ação ilegal da PM contra vítimas de enchentes

Por volta de 1h30 desta terça-feira (04/05), oito viaturas da Polícia Militar de São Paulo invadiram, sem amparo em decisão judicial, o acampamento Alagados do Pantanal, localizado na altura do número 900 da Rua Ozório Franco Vilhena, na Vila Curuçá, Zona Leste. A ocupação foi construída por famílias que sofreram diretamente as conseqüências do fechamento da barragem da Penha e da abertura da barragem do Alto Tietê, que, com o aumento das chuvas, inundaram a região do Pantanal e deixaram milhares de pessoas por 70 dias dentro d’água.

Oito policiais não identificados entraram no local e lá permaneceram por uma hora, ameaçando os moradores e chegando a cortar a energia elétrica do acampamento – o que não é papel da PM. Questionados sobre a legalidade de suas ações, disseram que podiam “fazer o que bem entendiam e que não precisavam de ordem judicial para nada”.

Agora pela manhã, as ameaças continuaram, com lideranças do movimento sendo impedidas de sair do local por policiais que permaneceram de plantão na entrada do acampamento, fazendo inclusive o uso de armas para bloquear o fluxo dos moradores.

O deputado federal Ivan Valente (PSOL/SP) entrou em contato com o secretário de Segurança Pública de São Paulo, Antônio Ferreira Pinto, que não sabia do ocorrido. A partir do relato feito pelo deputado, o secretário concordou que a ação da PM tinha sido ilegal e ficou de tomar providências.

“Os policiais atuaram de forma absolutamente ilegal, inconstitucional e truculenta. As famílias que estão acampadas já perderam tudo com as enchentes no início do ano e sofrem com o descaso da Prefeitura de São Paulo e a ausência de uma política habitacional para a população de baixa renda. Por isso, uma ação desta ordem da PM é inadmissível”, afirmou Ivan Valente, que seguirá em contato com a Secretaria de Segurança Pública até obter os devidos esclarecimentos sobre o ocorrido.

Veja abaixo as fotos da visita feita pelo deputado Ivan Valente à ocupação Alagados do Pantanal no último sábado (01/05).

[nggallery id=32]

Em defesa do direito à moradia dos atingidos pelas enchentes em São Paulo

Desde a noite de 17 de abril, cerca de 100 famílias estão acampadas num terreno abandonado na Vila Curuçá, em São Miguel Paulista, na zona Leste de São Paulo. São vítimas das enchentes que atingiram a capital paulista entre o final de 2009 e início de 2010, mas também do descaso e da ausência de uma política de moradia popular por parte da gestão PSDB/DEM na prefeitura e no governo de São Paulo. No último sábado, o deputado federal Ivan Valente participou de um ato em solidariedade à ocupação e ouviu as demandas dos moradores.

A ocupação Alagados do Pantanal foi construída por famílias que sofreram diretamente as conseqüências do fechamento da barragem da Penha e da abertura da barragem do Alto Tietê, que, com o aumento das chuvas, inundou a região do pantanal e deixou as famílias cerca de 70 dias literalmente dentro d’água. Agora, as famílias estão sendo removidas pela Prefeitura de São Paulo. As moradias serão demolidas para a construção do Parque Linear Várzea do Tietê.

Num comunicado público, o movimento Terra Livre, responsável pela organização da ocupação, denuncia os interesses do grande capital e a ação criminosa do poder público estadual:

“O governo Serra enche a região e Kassab cadastra o bolsa aluguel, mais parecido com bolsa despejo, uma miséria de benefício e que já acabou para muitos que estão retornando ao pantanal. Tudo isso para demolir essas moradias e limpar terreno para a construção do Parque Linear Varzea do Tiete, importante marco nas campanhas eleitorais e para a Copa do Mundo 2014. Denunciamos esta política fascista de “desenfeiar” a cidade, tirando a pobreza e o povo do campo visual da burguesia e de seus turistas”.

Segundo os moradores, a estratégia do governo estadual é demolir as moradias para então vender apartamentos da CDHU à população. “As casas prometidas pelo governo não são para morar, mas para comprar, e pelas quais pagaremos quase trinta anos, enchendo o bolso de bancos e construtoras”, criticam.

Na pauta de reivindicações do movimento estão, entre outros pontos, o fim imediato do processo de remoções e de derrubada das moradias; a construção imediata e sem custos das casas para abrigar as famílias atingidas, em troca das casas removidas; a indenização pelos prejuízos causados pela enchente, resultado do fechamento da barragem da Penha e abertura das barragens do alto Tietê; a desapropriação do terreno ocupado na Vila Curuçá e linhas de crédito para material de construção. O próprio movimento manifestou interesse e construir suas casas.

O deputado federal Ivan Valente se solidarizou à luta dos atingidos pelas enchentes no pantanal e se comprometeu a pressionar o poder público para garantir moradia às famílias acampadas.

“Hoje é 1º de Maio, dia de luta e de luto dos trabalhadores, e vocês estão de parabéns pela garra e disposição aqui demonstradas. Os lutadores que aqui estão são vítimas sobretudo da especulação imobiliária, que expulsa a população de baixa renda para as áreas periféricas e de risco, e da falta de uma política de habitação da gestão Serra-Kassab. Podem contar com o PSOL e com o nosso mandato nesta caminhada. Só a luta garante vitórias”, afirmou Ivan Valente.