Integrantes da Máfia da Cidade Limpa dizem que João Doria sabia do esquema

Um novo escândalo na cidade de São Paulo vem dando o que falar: as propinas que empresários pagaram para burlar a fiscalização da Cidade Limpa. Mas há algumas questões de alta gravidade que não foram devidamente enfatizadas pela matéria da CBN.

Primeiro, como é que secretários da prefeitura se sentem à vontade para negociar a legislação municipal com empresários, sabendo ou não que estavam envolvidos em esquema criminoso? A Lei da Cidade Limpa não pode ser alterada de acordo com a ideia que “uma mão lava a outra”.

“A prefeitura confirmou as reuniões. Carlos Alfredo e Antonio Carlos, donos da empresa de promoções CPP, são conhecidos informalmente como “tubarões” da Máfia da Cidade Limpa. A ideia deles era flexibilizar a lei com a ajuda da prefeitura, passando a pagar para os cofres públicos o que já pagavam em propina para os fiscais.”

Se a prefeitura fracassa em suas políticas sociais, não pode buscar soluções em um balcão de negócios que ocorre em paralelo. Isso deveria ser motivo para que os três secretários fossem demitidos, e não apenas o prefeito regional da Lapa, pego no flagra.

Em segundo lugar, é imprescindível que seja esclarecido o grau de conhecimento de João Doria a respeito das fraudes na fiscalização e das propinas.

“Nas conversas gravadas com envolvidos na máfia, três deles: Anderson Aquino da empresa MSantos Publicidade, Marcelo da Ampla Promoções e o ex-servidor Dalvo Rodrigues Silva sustentam que o prefeito João Doria sabia da máfia.

[áudio gravado] “Então, o que acontece, ele sabe. É o que você falou, ele sabe que as coisas acontecem, ele sabe tudo, desde que não resvale nele… Um: não pode resvalar nele. Dois: São Paulo precisa de negócios, precisa gerar negócios. Precisa das coisas acontecerem aqui. Então algumas coisas de verdade mesmo, é assim, ‘não pingou uma gotinha em mim’, vai embora”, diz.”

Acompanharemos os avanços da CPI da Máfia da Cidade Limpa, com muita atenção para que não acabe em pizza. Vamos cobrar pulso firme contra todos os envolvidos, sem distinção para o cargo que ocupa.