Créditos: Jornalistas livres

João Doria Jr., após pouco mais de um ano de uma gestão absolutamente autoritária e elitista, está de saída da prefeitura, cobiçando agora o Palácio dos Bandeirantes. A saideira, no entanto, é a tentativa de implementar o PL 621/2016, o Sampaprev. Um projeto que desestrutura o IPREM, cria um regime de Previdência complementar e confisca até 19% dos salários dos servidores. Isso representa um duríssimo ataque ao conjunto do funcionalismo e  a destruição dos serviços públicos da cidade de São Paulo.

Doria  quer fortalecer sua candidatura  fazendo a Reforma da Previdência  que Temer não  conseguiu aprovar. Tentando se credenciar, assim, como um nome forte e confiável para empresários  e banqueiros.  Por isso, a luta dos servidores municipais  adquire importância na resistência à Reforma  da Previdência  nacional.  Ainda mais considerando que  a educação  municipal  foi ponta de  lança  na luta para barrar esse retrocesso, através do forte engajamento da categoria na Greve Nacional  da  Educação ocorrida no ano passado.

A proposta atual piora  bastante  o já  ruim projeto  encaminhado por Haddad no apagar das luzes do seu mandato.

O texto aumenta de 11% para até 19% a quantia abocanhada pelo SAMPAPREV. Trata-se, na verdade, de privatização da previdência, um projeto irresponsável que poderá quebrar o sistema de aposentadorias no Município e deixar nas mãos de especuladores a contribuição dos servidores.

Mas, a proposta do SAMPAPREV nao é uma ação isolada, está inserida no conjunto das medidas desta curtíssima, porém super agressiva, gestão de  Dória. O prefeito “Mãos de tesoura”  é muitíssimo determinado em cortar direitos dos cidadãos e extremamente empenhado em assegurar os interesses do setor privado. Vale lembrar: corte do leite das crianças, do transporte escolar gratuito, das verbas das escolas, diminuição do número de profissionais nas unidades escolares, piora da merenda e agora fechamento das AMAS e corte das linhas de ônibus.

A pressão do funcionalismo vem crescendo muito desde a aprovação da greve  no dia 8 de março. Aguerridos manifestantes acamparam na porta da Câmara dos Vereadores, exigindo seus direitos.

No dia 14 de março, educadoras  enfrentaram a truculência  do governo, com  uma repressão pesadíssima por parte da polícia tucana,  em que saíram feridos em uma ação covarde. A truculência da Guarda Civil  e da Polícia  Militar despertou uma reação ainda mais ampla, com presença de ao menos 80 mil trabalhadores protestando à porta da Câmara.

Nem bomba, nem gás, a unidade e a força  do funcionalismo garantiu o crescimento  do movimento  como resposta à repressão  policial.

Como se não bastassem as péssimas condições de trabalho em que os funcionários públicos se encontram, lembrando que seus salários tiveram aumentos sucessivos de ridículos 0,01%, ainda sofrem com a ameaça de mais esse verdadeiro confisco. Isso não pode ser chamado de equilíbrio fiscal, trata-se de desmonte do Estado, destruição do serviço público e agressão contra trabalhadores.

 

Créditos: Jornalistas livres

A greve das educadoras ganhou enorme adesão e a cada dia novas categorias engrossam a luta pela aposentadoria. Os servidores estão unidos e não aceitarão esta afronta.  O PSOL também está firme nessa batalha, atuando em nível municipal, com nossa combativa bancada de vereadores, com o mesmo afinco que batalhou contra a Reforma da Previdência de Temer. Esperamos que a Câmara municipal reconheça a dignidade da luta e respeite o direito à aposentadoria do funcionalismo público.

Não ao retrocesso, não ao SAMPAPREV!

Fora Doria, da Prefeitura e do Governo do Estado!