Crédito da foto: Mídia NINJA

A quarta-feira da semana passada entrou para a história como o dia em que aconteceu um dos crimes mais bárbaros da história do país. Um crime político que retirou a vida da vereadora e militante do PSOL, Marielle Franco, e de seu motorista, Anderson Gomes. O choque e a comoção foram instantâneos.

A execução de Marielle foi, sem dúvidas, por sua militância na área dos direitos humanos, porseu compromisso com a defesa dos moradores da favela, como o Complexo da Maré, de onde veio. Por sua firmeza ao lutar pelos direitos da população LGBT.

A militante do PSOL crescia como representante dessas causas. Havia sido eleita com mais de 46 mil votos. A máfia que a assassinou buscou impedir isso. E, ainda pior, teve a intenção nefasta de intimidar todos aqueles e aquelas que lutavam ao lado de Marielle em torno das mesmas bandeiras.

A indignação tomou as ruas, praças, escolas, universidades. A imprensa no Brasil e no mundo denunciou com alarde o acontecido. A democracia, tão frágil atualmente, perdeu mais um pouco de seu vigor.

A violência de Estado vitima milhares de pessoas anualmente no Brasil. O alvo, na imensa maioria dos casos, são os jovens negros da periferia. A herança da escravidão e o legado da ditadura militar explicam o comportamento violento do Estado. A desigualdade social, a pobreza e a falta de oportunidades constituem o plano de fundo social. Contra essa situação Marielle se levantava.

Sua atuação no Rio de Janeiro, ao lado de Marcelo Freixo e tantos outros, também foi marcada pelo combate às milícias – tropas paramilitares que controlam territórios das periferias do Rio. Extorquem moradores, cobram por serviços, impõem suas próprias leis. Depois da CPI da Milícia, na Alerj, ficou comprovado o laço íntimo de policiais e mesmo de políticos nessas tramas mafiosas. Não há como não levantar a suspeita do envolvimento desses sujeitos com os assassinados em questão.

A política de segurança pública defendida pelo PSOL entende que a violência para ser combatida precisa ter os alicerces que a garantem modificados. Ou seja, a população precisa de emprego digno, acesso aos direitos sociais e expectativa de vida. Além disso, o crime precisa ser sufocado economicamente, sobretudo com a retirada do comércio ilegal de drogas através da legalização. Sem isso, não haverá mudanças.

Nesses termos, Marielle também era contrária à proclamada intervenção militar no Rio de Janeiro. Supor que o uso da força modificará a realidade é um engano. Em contrapartida, a presença ostensiva de militares treinados para a guerra e não para a segurança pública promoverá ainda mais violações dos direitos humanos. Vale lembrar que Marielle Franco compunha na Câmara Municipal dos Vereadores a Comissão Especial que irá acompanhar e fiscalizar a intervenção.

Lamentavelmente, muita mentira foi destilada contra Marielle. Mesmo pessoas ocupantes de cargos públicos se propuseram ao inaceitável, que é a difamação torpe. A desembargadora do Rio de Janeiro, Marília de Castro Neves, assim como o deputado federal, Alberto Fraga, cometeram o crime de calúnia, além de terem disseminado o ódio. Por essas razões, o PSOL acionou o Conselho Nacional de Justiça e o Conselho de Ética da Câmara dos Deputados contra ambos, respectivamente. Eles vão ter de arcar com as responsabilidades de seus crimes. O PSOL também criou um canal de denúncia para impedir a circulação de boatos nas redes sociais.

Os assassinos de Marielle e Anderson acharam que calariam suas vozes. Enganaram-se. Agora somos milhões de Marielles e Andersons por todos os cantos do país. O crime bárbaro jamais será esquecido. Os responsáveis certamente serão punidos. Mais importante que isso, todavia, é que a luta por justiça social e igualdade somente se fortalecerá. Como dizia Marielle “eu sou porque nós somos”. Assim, marcharemos!

Marielle Franco, presente! Anderson, presente!