Massacre no Pará ecoa tragédia em Carajás e requer punição

No dia 24 de maio, na área de Pau D’Arco, no Pará, dez pessoas foram mortas covardemente por policiais militares e civis. A operação previa a prisão de suspeitos pela morte de um vigilante particular, mas aparentemente foi um ato de vingança e de criminalização de movimentos sociais. Apenas quatro dos dez assassinados constavam nos mandados de prisão. O local, de terras públicas, era disputado entre trabalhadores rurais e grileiros.

A versão da Polícia é a de que houve confronto e tiroteio, o que é insustentável, pois nenhum dos policiais se mostrou ferido. Além disso, a procuradoria dos Direitos do Cidadão constatou que o local foi adulterado antes da chegada da perícia, com o recolhimento dos corpos e ocultação de evidências.

Os sobreviventes relatam que a polícia chegou atirando, com intenção de matar. Teriam sido cerca de duas horas de perseguição no mato, disparando em quem corria. Ao menos três corpos tinham balas na cabeça e nas costas. Os relatos dizem ainda que os policiais comemoraram a chacina, o que nos leva a pensar o que eles acham que suas fardas representam. Para a procuradoria, a versão dos sobreviventes é consistente com o que se pôde periciar.

Não há como dissociar essa chacina com a de Eldorado dos Carajás, no mesmo estado, que em 2016 completou vinte anos. Foi uma barbaridade, mais de 150 policiais, sem identificação, impediram uma marcha do MST e tiraram a vida de vinte e um integrantes do movimento e feriram mais sessenta e sete. Apenas dois comandantes foram punidos com prisão. À semelhança do que ocorreu na semana passada em Pau D’Arco, os corpos foram removidos e uma perícia adequada foi impossibilitada.

Do massacre de Carajás até hoje, cerca de trezentos trabalhadores rurais foram assassinados apenas no estado do Pará. A impunidade é uma das explicações para a propagação desses crimes sangrentos. Esse novo episódio, em Pau D’Arco, não pode ser esquecido, não pode ser abafado. Fazemos questão de deixar claro o nosso repúdio, junto à esperança de que, a partir das observações da procuradoria de Direitos do Cidadão, o desfecho seja a devida punição aos envolvidos em mais esta chacina.