Massificar a luta por Diretas Já e construir a greve geral

O largo da Batata, na zona oeste de São Paulo, foi palco de um festival que reuniu cem mil pessoas exigindo o direito do povo escolher o presidente do Brasil. Artistas como Mano Brown, Tulipa Ruiz, Criolo, Pitty, Emicida, Elisa Lucinda, Edgard Scandurra, Monica Iozzi, intelectuais e lideranças populares estiveram à frente de um verdadeiro show de democracia.

Há duas semanas, evento semelhante ocorreu no Rio de Janeiro. Lá, das várias apresentações, Caetano Veloso e Milton Nascimento estiveram presentes diante de 150 mil pessoas na praia de Copacabana. O que resta claro para todos nós é que a vontade da maioria da população em participar para superar a enorme crise política só aumenta. De acordo com o instituto Vox Populi, 89% quer Diretas Já!

Esse cenário é muito compreensível. O governo golpista de Michel Temer se faz uma lástima. As reformas que querem levar adiante contam com o repúdio das maiorias. Mudar a previdência para limitar, e muito, o direito à aposentadoria, retirar direitos trabalhistas e congelar os gastos públicos pelos próximos vinte anos são pautas que somente têm o apoio do mercado financeiro e de seus porta-vozes na sociedade.

Sem contar a lama de corrupção que afoga os membros do governo. Nada menos que oito ministros estão na Lava Jato. Recentemente, os áudios de Temer em conversa com Joesley Batista, da JBS, mostraram ao Brasil que o presidente está diretamente envolvido em esquemas de corrupção e, no exercício do mandato, participou da compra do silêncio de Eduardo Cunha.

De tão grave situação, mesmo parte da imprensa que apoiou o golpe se vê numa posição de exigir a saída de Temer, como ficou claro em editoriais recentes dos jornais Folha de São Paulo e O Globo.

Hoje, o TSE começa o julgamento da chapa Dilma/Temer por abuso do poder econômico. Existem sinais robustos de que houve caixa dois e recursos em troca de vantagens indevidas. Essa denúncia é somada a muitas outras que envolvem diretamente Temer e a cúpula que está no Planalto. Fato é que seu governo não irá renunciar por uma questão simples: sem foro privilegiado, Padilha, Moreira Franco, Kassab ou mesmo o próprio Temer entrarão na fila para serem presos. O ex-ministro, Henrique Eduardo Alves, preso hoje de manhã, é um alerta do destino daqueles que sabotaram a democracia. Por isso, entendemos que o TSE deve cassar a chapa o mais rapidamente.

No entanto, há um elemento que será decisivo para a saída de Temer e eleições Diretas como único caminho para resgatar a democracia: pressão popular. Chegou o momento de ocuparmos ruas, praças, escolas, locais de trabalho para conversar com todos sobre a necessidade de exigir o direito do povo decidir os rumos do país. No dia 28 de abril, aconteceu a maior greve geral dos últimos 30 anos. Uma grande demonstração do poder de mobilização da classe trabalhadora e dos movimentos sociais.

Agora é hora de construirmos a segunda greve geral para derrotar de uma vez por todas Temer e suas reformas que retiram direitos. No dia 30 de junho, o Brasil irá parar. Estaremos juntos nessa mobilização. Até lá, devemos construir cotidianamente esse dia de luta. Ousando lutar, venceremos!