O medo que as elites têm das Diretas Já!

O medo que as elites têm das Diretas Já!

Diante do terremoto iniciado na quarta-feira da semana passada, com as delações da JBS, as elites brasileiras e as cúpulas dos principais partidos que compõem a base do governo aceleram o passo para encontrarem uma saída por cima, que preserve seus interesses e garanta a agenda regressiva de retirada de direitos do povo brasileiro.

A saída apresentada pelo PSDB é uma espécie de governo Temer sem Temer. Querem manter a aliança com o PMDB, DEM e companhia para darem as cartas de uma eleição indireta, onde os principais nomes do atual governo seriam preservados, inclusive, os que estão envolvidos diretamente na Lava Jato.

A Rede Globo aumenta a carga pela renúncia de Temer, entendendo que ele já não tem mais condições políticas de impor as reformas Quer uma saída rápida, não por questões éticas, mas para recolocarem em pauta a votação da reforma trabalhista e principalmente garantir maioria para a reforma da previdência.

Já aqueles que bateram panelas e tanto dizem que são contra a corrupção, preferiram enrolar suas bandeiras e fazem uma defesa envergonhada tanto de Temer quanto das eleições indiretas. Perceberam que o trágico balanço do governo Temer e de todos os que ajudaram no golpe e lhe deram sustentação sofrerá uma implacável resposta popular nas urnas, temem o voto direto pois sabem que o povo não perdoa.

Por outro lado, se Temer cair será no mínimo contraditório para quem tanto falou em combater a corrupção, defender que o Congresso, onde a maioria dos parlamentares estão envolvidos em casos de corrupção, escolha o próximo presidente da República, mesmo que para um mandato tampão.

Reivindicar simplesmente a Constituição não cabe para as elites brasileiras. Afinal, são direitos constitucionais que querem derrubar sem maior cerimônia com a Reforma da Previdência. Uma mudança constitucional que assegurasse uma saída com soberania popular para a crise não seria uma irresponsabilidade, pelo contrário, seria a saída de maior legitimidade num momento em que todas as instituições estão desacreditadas.

Vale lembrar que apesar de estar prevista na Constituição, as eleições indiretas não receberam norma complementar, ou seja, sua regulamentação hoje, no calor da crise, está sujeita a casuísmos que podem comprometer ainda mais o seu uso. Já o Código Eleitoral, após a minirreforma eleitoral, prevê eleição direta, num prazo de 20 a 40 dias em caso de cassação de mandato, algo que seria possível por meio da cassação da chapa Dilma/Temer no TSE.

Defendemos a mudança Constitucional que assegure as Eleições Diretas de forma efetivamente democrática, em condições de igualdade de disputa com tempo suficiente para que seja apresentado ao eleitor brasileiro as várias alternativas possíveis. Recorrer diretamente à Soberania Popular, por meio do voto direto, é a melhor saída sempre, o que dizer num momento de crise.

Essa saída não é casuística, nem tampouco tem a ver com cálculos eleitorais. É a saída que permite levar ao debate com o povo brasileiro a agenda política e econômica que hoje querem impor sem nenhum processo de negociação e diálogo. Se as reformas são tão necessárias como dizem, por que não debatê-las diretamente com a população, por que não submetê-las ao crivo popular, daí sim teremos um governo com legitimidade para governar, independente de quem seja eleito.

É a saída que permite também que a população consiga separar e isolar aqueles que estão envolvidos em casos de corrupção. Por que não dar a população esse direito, seria o mecanismo mais efetivo para assegurar ao menos a possibilidade de que o próximo governo não seja composto por quadros políticos envolvidos nos esquemas que tanto envergonham o país.

Também não é prolongar a crise ou algo do tipo. Pelo contrário, a crise não será resolvida com um governo ilegítimo, erigido de um Congresso sob suspeita e com uma pauta que não passou pelo crivo popular. O caminho das eleições indiretas será de mais crise e instabilidade.

Assim como, continuarão a gerar crise ao insistirem nas Reformas que já se demonstraram ser altamente impopulares. As pesquisas comprovam que a população rejeita não apenas Temer e seu governo corrupto, mas também toda sua pauta de reformas perversas que retiram direitos.

Por isso, mais do que nunca, é preciso que a população se mobilize e combata as reformas. Muitos querem se aproveitar da crise para promoverem uma verdadeira pilhagem de direitos, é assim que se comporta a bancada ruralista, que viu no governo Temer a oportunidade para colocarem em pauta todos os seus interesses mais mesquinhos e criminosos, como a MP 758, a mudança no licenciamento ambiental e o relatório da CPI da Funai, só para citar alguns exemplos. Ou seja, mesmo debaixo da maior crise da história do nosso país, a população não está livre de ataques, pelo contrário, são em momentos como esse que os objetivos mais inconfessáveis das elites vêem à tona.

Nessa conjuntura, o Ocupe Brasília programado para esta quarta-feira, 24 de maio, assim como as manifestações nos Estados e toda forma de pressão nas ruas e nas redes são decisivas para tenhamos uma saída popular para a crise.

As manifestações populares precisam ganhar as ruas e aumentar a pressão não só pelo fim do governo Temer, como também por Diretas Já, essa será a melhor forma de derrotarmos as reformas e estabelecermos uma nova agenda para o país.

Ao se negar a ver a realidade e responderem apenas ao mercado financeiro, às elites econômicas e à grande mídia, a maioria governista comete um erro gravíssimo, que poderá levar a mais crise no país, ao mesmo tempo em que brinca de forma irresponsável com a paciência do povo que está no limite.

O golpe aprofundou a recessão e o desemprego, retirou direitos, não para de exigir mais sacrifícios ao povo brasileiro e exibe, em gravações inegáveis, toda a podridão que tomou conta de Brasília. Parem. O que sair daí será insustentável. É hora de uma mudança total na política brasileira. É hora de eleições diretas, devolvendo a soberania popular ao povo brasileiro