21ª Parada LGBT

21ª Parada LGBT: grande ato de tolerância e diversidade em tempos de conservadorismo

Um dos eventos mais tradicionais que ocorre na cidade de São Paulo, a Parada do Orgulho LGBT, aconteceu nesse último domingo, em sua 21ª edição. A primeira ocorreu em 1997. Foi um mar de pessoas que levantavam a bandeira do respeito, da tolerância, da diversidade. Ser plenamente o que cada um de fato é. Tal foi a mensagem passada.

Os organizadores da parada – a APOGLBT (Associação da Parada do Orgulho de Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros de São Paulo), existente desde 1999 – estimam que mais de três milhões de pessoas participaram do evento. A polícia militar não revelou seus números. Isso faz com que a Avenida Paulista tenha sido palco do maior evento da cidade de São Paulo, superior às manifestações pró ou contra o impeachment de Dilma ou mesmo a Marcha para Jesus, ocorrida na quinta-feira da semana passada e que contou com cerca de dois milhões de pessoas.

Interessante notar que mesmo em um contexto de avanço do conservadorismo e de manifestações de ódio, o maior encontro de São Paulo foi em defesa da tolerância e da diversidade. Isso por si só mostra que, mesmo diante de adversidades, a esperança de uma sociedade justa segue firme. Não à toa, também, diversas manifestações contra Temer e por eleições diretas foram vistas ao longo da caminhada. Cartazes com os dizeres “não me venham com indiretas, diretas já!” e “amar sem Temer” foram distribuídos aos milhares. Adesivos com as mesmas temáticas, sempre em diálogo com a pauta no ato, ocuparam as roupas e fantasias de quem estava lá. A politização, por outro lado, foi vista em cartazes contra Trump e Putin, figuras conhecidas por desrespeitarem os direitos da população LGBT.

Infelizmente, as vítimas da homofobia, transfobia e lesbofobia são muitas no Brasil. O país é que mata trans no mundo. Por isso, é tão importante que manifestações de massa ocorram para denunciar essa violência absurda e que precisa imediatamente ser superada.

Muitos artistas marcaram presença para apoiar a liberdade. As cantoras Anitta, Daniela Mercury e Fafá de Belém agitaram os caminhões de som. Leandra Leal e Fernanda Lima marcharam ao lado da diversidade. Pablo Vittar não deixou de animar o público.

Nós também estivemos presentes na Parada. Temos a certeza de que um mundo novo só pode ser construído com base na aceitação das pessoas como elas são. Amar é um ato político. E todas as formas de amor valem a pena quando sustentadas pelo respeito. Em tempos de cólera, a 21ª Parada do Orgulho LGBT foi um grande respiro de democracia.