IRRACIONALIDADE E TRUCULÊNCIA: A RUPTURA DE TRUMP COM O ACORDO DE PARIS

A decisão do presidente dos EUA, Donald Trump, de romper com o acordo de Paris, representa um duro golpe contra o mais importante acordo contra o aquecimento global já firmado no mundo. Um acordo que vigora desde 2015, contando com 196 países signatários, e é fruto de anos de luta ambiental e estudos científicos que comprovam os efeitos nefastos da poluição sobre o aquecimento global e a vida no planeta.

A saída dos EUA – a maior potencia econômica do planeta e um de seus maiores poluidores – enfraquece enormemente o cumprimento do acordo, desestimulando inclusive um conjunto de países que provavelmente usarão o boicote norte americano ao acordo de Paris como um álibi para também frear medidas de controle ambiental em seus territórios. E que certamente irá encorajar os setores econômicos que em nosso país sempre colocaram seus interesses de lucro fácil acima dos interesses da sociedade e das futuras gerações.

A decisão de Trump de retirar os EUA do Acordo de Paris está em sintonia com o objetivo de seu governo de aumentar o uso de combustíveis fósseis (carvão, petróleo, gás) como meio para garantir a elevação do nível de emprego para os americanos. Uma receita que visa agradar o eleitorado conservador e os setores que perderam seus empregos no processo de globalização e crise financeira que se arrasta desde 2008.

No entanto, esta decisão, fundada na ignorância e em propósitos eleitoreiros, afronta todo o acumulo da esmagadora maioria da comunidade científica mundial sobre os efeitos negativos que o aquecimento global provocará sobre a vida e a própria atividade econômica no planeta.

A retirada dos EUA, inclusive pelo desestímulo que provoca, poderá comprometer a principal meta do acordo de Paris: limitar o aquecimento da temperatura média da Terra a menos de 2ºC acima dos níveis de temperatura anteriores à Revolução Industrial. O que seria feito pelo incentivo ao uso de energias renováveis e pela redução da emissão de gases do efeito estufa.

Esta ruptura revela ainda a face mais irracional do capitalismo norte americano, agora presidido por um governo conservador e de ultra direita, com seu desprezo pelo meio ambiente e as populações mais vulneráveis aos efeitos do aquecimento global.

Tudo isso em nome de uma medida demagógica de “recuperação dos empregos dos americanos”, quando na verdade, o capital financeiro e sua lógica especulativa, este sim o principal responsável pela devastação dos empregos nos EUA e no mundo, continua intocável pelo governo Trump – ele próprio um bilionário que se beneficiou deste sistema.

A luta em defesa do meio do meio ambiente continua sendo uma tarefa urgente e necessária. E seu sucesso dependerá novamente da mobilização dos povos e das organizações sociais que tem a clareza de que este sistema de produção, baseado no lucro a qualquer custo e na exploração incessante dos trabalhadores, condenará a humanidade a desigualdade social permanente e o planeta a sua destruição. Tensões estas que são agravadas pelas políticas de austeridade de um capitalismo em crise, dominado por interesse financeiros e especulativos sem nenhuma associação com a vida real das pessoas e do planeta.