A cada Dia Interacional da Mulher somos inundados por pesquisas, estudos e reportagens que mostram como apesar da grande luta que empreendem as mulheres, a situação de disparidade entre os gêneros ainda é uma realidade cruel que impede o progresso de toda sociedade brasileira.

A vida das mulheres brasileiras é difícil. Seja na vida pública, no mercado de trabalho e mesmo nas relações afetivas, que tristemente levam milhares de mulheres à morte, as brasileiras tem que lutar o tempo inteiro para serem respeitadas.

Nesse 8 de março gostaria de me debruçar sobre um aspecto importante na vida de qualquer cidadã: o trabalho. Nosso Ministério do Trabalho ignorando as demandas e lutas das mulheres, fez uma propaganda completamente fora da realidade afirmando que ser trabalhadora é “ir em busca dos seus sonhos, superar obstáculos e vencer limites”.

Ora, somente em um governo ilegítimo cujo alto escalão é formado quase que exclusivamente por homens, o conhecido “machistério” de Temer, é que se pode ver uma publicidade absurda que desdenha da condição de vida das brasileiras dizendo que depende exclusivamente da mulher o seu próprio sucesso.

Esse governo ignora a realidade do mercado de trabalho que ainda paga 70% do salário de um homem para uma mulher branca com qualificação igual na mesma função. No caso das mulheres negras essa situação é ainda mais absurda, chegando ao cúmulo de uma remuneração que não passa de 40% de um homem com as mesmas qualificações e funções, fato comprovado por pesquisas feitas por empresas privadas, como a feita pela Catho em 2017 e até pelo Ministério do Trabalho, com base na Rais (Relação Anual de Informações Sociais) do mesmo ano, que leva em conta apenas trabalhadoras e trabalhadores formalizados. As mulheres transexuais mal entram nas pesquisas sobre mercado de trabalho, tamanha a sua invisibilidade e a cultura do preconceito que as impedem de acessá-lo.

Mas as mulheres não se calaram e não se calarão mais diante dos absurdos irresponsáveis ditos por governos, empresas ou figuras públicas. Elas inundaram as redes sociais do Ministério de trabalho com seus relatos de assédio moral, assédio sexual, ameaças de demissão por gravidez entre outras práticas machistas que enfrentam no cotidiano.

O PSOL tem como princípio, desde sua fundação, a luta contra a desigualdade entre os gêneros. É um partido que possui diversas presidentas de diretórios, proposições políticas que assegurem a igualdade e o fim da violência. Atualmente conta ainda com uma forte mulher indígena como pré-candidata à vice-presidência da República.

E foi a luta das mulheres que alcançou duas grandes vitórias no campo jurídico nesse início de 2018: o direito à mudança de nome para mulheres trans sem necessidade de decisão judicial e o Habeas Corpus coletivo para mulheres gestantes, lactantes e mães de crianças de até 12 anos. Em meio a tantos retrocessos, é preciso comemorar de um jeito que só quem está na luta sabe fazer: tirando ânimo para transformar ainda mais o futuro.

Seguimos adiante, de mãos dadas, por um mundo mais justo e solidário para todas!