Trajetória

A luta de Ivan Valente por democracia e justiça social sempre esteve lado a lado com os movimentos sociais e as lutas populares, enfrentando os interesses dos poderosos. No parlamento ou nas ruas, sua voz nunca se calou. Foi assim durante o regime militar, que combateu até o seu fim, sendo perseguido e preso pela repressão. Unindo a coerência de quem nunca recuou de suas convicções com a ousadia de quem não perde a esperança em um Brasil mais justo, foi um dos deputados federais mais votados por São Paulo nas últimas eleições, com 168. 928 votos. Também foi eleito um dos quatro melhores deputados do Brasil no último Prêmio Congresso em Foco, em dezembro de 2015, e considerado um dos 100 mais influentes parlamentares em 2016 segundo pesquisa do DIAP (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar). Ivan foi presidente nacional do PSOL de 2011 a 2013, líder do partido na Câmara dos Deputados em 2015, atualmente, é membro titular da Comissão de Defesa do Consumidor e suplente na Comissão de Constituição e Justiça e na Comissão de Seguridade Social e Família.

Ivan Valente foi membro titular da Comissão Especial da Reforma da Previdência, sendo uma das principais vozes em oposição à proposta do governo Temer. Trata-se de uma emenda constitucional que tem como objetivo a retirada de direitos e o ataque justamente aos mais pobres e às mulheres. Foi titular também da CPI da Petrobras, notabilizando-se por requerer a convocação de políticos, empresários e dirigentes da Estatal, independente do partido ou empresa envolvida. Apresentou voto em separado na Comissão, por não concordar com o acordão feito na época para acobertar crimes de políticos dos chamados grandes partidos.

Um Histórico de luta

compromisso e dedicação

Ivan Valente participa das lutas populares desde as grandes mobilizações da juventude nos anos 60, quando foi dirigente do Centro Acadêmico da Escola de Engenharia Mauá. Como membro da geração que, em 1968, despertou para a militância política na resistência democrática à ditadura, foi perseguido, preso, torturado e condenado pelo regime militar. Ajudou a fundar o “Comitê Brasileiro pela Anistia/SP” e dirigiu o jornal socialista “Companheiro”.

Ainda na década de 1980, foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores, sendo membro da sua Direção Nacional por 17 anos. Foi deputado estadual pelo PT por dois mandatos (1987/90 e 1991/94), quando foi considerado pelo movimento “Voto Consciente” um dos deputados mais ativos da Assembleia Legislativa de São Paulo. Notabilizou-se por seus projetos e ações em defesa da despoluição da represa Billings e em favor da Universidade Pública do ABC. Como deputado Federal (1994/98 e 2001), Ivan se destacou pela posição firme no combate à política neoliberal do governo FHC e foi co-autor do pedido de criação da CPI dos Bancos. Ivan se destacou durante o Governo Lula no enfrentamento à política econômica herdada de FHC, que teve continuidade no PT. Em 2003, esteve à frente do Manifesto “Mudanças Já!”, com outros 29 parlamentares petistas, e, contra a posição do partido, colocou-se na oposição à Reforma da Previdência, que retirou direitos dos trabalhadores em benefício dos Fundos de Pensão privados. Por isso, foi punido pela Direção Nacional do PT.

Em 2004, foi um dos organizadores do Seminário “Queremos um Outro Brasil”, que reuniu 15 deputados federais petistas em São Paulo e elaborou uma proposta alternativa à política econômica do governo, que não foi implementada pelo governo. Foi novamente punido pela Direção Nacional do PT quando se recusou a votar na proposta do governo Lula para o salário mínimo e votou por um aumento maior, que recuperasse as perdas dos anos FHC.

Em 2005, um novo Seminário em São Paulo lança o Bloco Parlamentar de Esquerda da bancada petista, criado para ser um contraponto às políticas neoliberais do governo. Em maio daquele ano, Ivan Valente assina o pedido de instalação da CPMI dos Correios, para investigar as denúncias de corrupção no órgão. Com o PT acuado por denúncias contra seus dirigentes, Ivan Valente assume a candidatura à presidência estadual do PT de São Paulo, junto com Plínio de Arruda Sampaio para presidente nacional. Apesar do expressivo apoio obtido no Processo de Eleições Diretas, os votos não foram suficientes para derrotar o chamado Campo Majoritário do PT. Após um amplo debate com os apoiadores do mandato e com setores expressivos da esquerda socialista brasileira, Ivan Valente toma a decisão de sair do PT e ingressar no PSOL.

Em 2006, Ivan é reeleito deputado federal já pelo PSOL, com 83.719 votos, em sua primeira disputa eleitoral. Em 2010, é reeleito novamente, agora com 189.014 votos.

Ivan Valente presidiu a Frente Parlamentar pelo Voto Aberto no Congresso. Foi voz ativa e destacada na defesa do Código Florestal e contra as mudanças propostas pela bancada ruralista. Foi um dos parlamentares mais ativos na luta pela destinação de 10% do PIB brasileiro para a educação. Em 2009, propôs a CPI da dívida pública, para investigar os impactos sociais e econômicos da dívida dos Municípios, Estados e União.
Já em 1997, ele encabeçou a apresentação ao Congresso do Plano Nacional de Educação, elaborado pelos educadores brasileiros, e é autor de várias outras importantes iniciativas e projetos em defesa de uma escola pública de qualidade.

Resistência ao governo Temer e combate à corrupção

garra e coragem

Ivan Valente denunciou o golpe que conduziu Michel Temer à presidência da República. Desde o primeiro momento se colocou como oposição ao governo corrupto do PMDB, sendo um dos principais opositores à reforma da previdência e à reforma trabalhista, que retiram direitos dos trabalhadores e beneficiam os mais ricos e o capital financeiro. Foi autor, junto com o PSOL, de um dos primeiros pedidos de impeachment de Temer, por ocasião do escândalo que levou à demissão do ministro Geddel Vieira Lima da Secretaria de Governo. Defensor do Fora Temer e de eleições diretas para presidente como forma de devolver a soberania ao povo e retirar da presidência um governo golpista e comprovadamente corrupto. No combate à corrupção sempre defendeu que não poderia haver seletividade, todos os corruptores e corruptos devem responder por seus crimes, evidentemente que dentro da lei e com amplo direito de defesa. Um dos destaques da atuação do PSOL no combate à corrupção foi o pedido de cassação do mandato do deputado federal Eduardo Cunha, num momento em ele ainda era o todo poderoso presidente da Câmara. Depois de ampla pressão popular, Cunha foi cassado pelo plenário da Câmara dos Deputados por 450 votos a 10 em setembro de 2016.

Oposição ao governo Dilma e
voto contrário ao impeachment

Ivan Valente foi oposição ao governo Dilma, crítico principalmente da guinada programática dada pelo seu governo após as eleições de 2014, com a nomeação de Joaquim Levy para o ministério da Fazenda e a adoção de uma política de ajuste fiscal e corte nas áreas sociais. Ivan votou contra as MPs 664 e 665, que já retiravam direitos na previdência social e no seguro-desemprego, atingindo os mais pobres. Apesar de ser oposição ao governo, Ivan Valente, assim como toda a bancada do PSOL, votou contra a abertura do processo de impeachment contra a presidente Dilma por entender que impeachment sem crime de responsabilidade se configuraria num golpe parlamentar e não num processo justo, o que se confirmou de forma cabal no desenrolar do governo Temer.

Publicações

Ivan Valente é autor e co-autor de diversas publicações sobre educação e outros temas, entre elas: “Código Florestal: Os riscos para o meio ambiente e a biodiversidade brasileira”, “A Nova LDB em Questão”, “A Municipalização Imposta e a Exclusão Social”, “PNE: FHC Sabota o Plano”, “Progressão Continuada X Promoção Automática. E a qualidade do ensino?”, “Em Defesa da Assistência Farmacêutica”, “PT: Aonde Vamos?”, “Coerência e Resistência”, “FUNDEB – É hora de pagar a dívida social com a EDUCAÇÃO”, “10 anos sem Florestan: o Socialismo vive!”, “Carta aos petistas, aos meus eleitores e à cidadania”, “América Latina: No Rumo da Pátria Grande”, “Paulo Freire vive! Hoje, dez anos depois…”

Nascido em 05 de julho de 1946 em São Paulo/SP, é casado, tem dois filhos, é professor, engenheiro e foi candidato a prefeito de São Caetano do Sul pelo PT, em 1992, a prefeito de São Paulo pelo PSOL, em 2008 e a vice-prefeito de São Paulo em 2016 na chapa encabeçada pela ex-prefeita e deputada federal Luiza Erundina.