Um ano de Temer, tragédia na vida do povo brasileiro que deixará sequelas irreversíveis

Na próxima sexta-feira (12) completará um ano do governo Michel Temer (PMDB). Alçado à condição de presidente por um golpe, Temer tem se notabilizado por cumprir à risca a pauta das elites brasileiras, em meio à recessão econômica e denúncias gravíssimas de corrupção. Nunca se viu um governo tão voraz quando se trata de retirar direitos sociais e impelir retrocessos civis e democráticos ao povo brasileiro.

Temer agoniza, mas não desiste. Apesar de toda a sua impopularidade, de ter 8 ministros citados na Lava Jato, além dele próprio, o compromisso de fazer as reformas que o mercado financeiro e os grandes empresários querem virou a grande tábua de salvação do golpista.

O carro chefe do governo é a reforma da previdência, rejeitada por 71% dos brasileiros, segundo o DataFolha, nesta mesma pesquisa, 87% se opõem ao núcleo central da reforma que é os 25 anos de contribuição, a idade mínima e a elevação da idade de aposentadoria para as mulheres. Para aprová-la o governo joga todas as cartadas, emendas, compra de votos, benesses, chantagens. Também opera para ceder em toda a pauta de retrocessos da sua base aliada, por isso, os ruralistas estão nadando de braçada, impondo mudanças legislativa que terão consequências gravíssimas para o futuro, como a MP 759, que representa a desconstrução da regularização fundiária no Brasil. Ou então o Refis proposto pelo governo, deixando claro que o ajuste fiscal é seletivo quando se está em jogo o interesses dos grandes sonegadores, incluindo, os parlamentares governistas.

Temer já cumpriu quase 40% do tempo que está previsto para seu mandato até o fim de 2018, mas o rastro de destruição de direitos deixado terão duração por anos a fio se não forem revertidos, com destaque para a PEC do teto de gastos de 20 anos, a terceirização, o fim da exclusividade da Petrobras no pré-sal, a reforma do ensino médio, o ajuste fiscal nos Estados. Já a reforma trabalhista que ainda precisa passar pelo Senado, mas virou a grande vitrine para o governo para daí aprovar a reforma da previdência. A trabalhista muda mais de 100 artigos da CLT e tem como principal implicação o negociado sobre o legislado, ainda mais num momento de crise e desemprego, isso significa, que o trabalhador estará à mercê dos interesses do patrão. Não é à toa que na pesquisa DataFolha 61% dos brasileiros consideram que a reforma trabalhista atende aos interesses dos patrões. A restrição ao acesso à justiça do Trabalho e coisas bizarras como a possibilidade de demissão coletiva sem justifica são alguns dos itens em que os empresários foram blindados numa legislação feita sob encomenda.

A pedra de toque do governo sempre foi a política econômica, blindada pela grande mídia como algo sagrado e acima de qualquer suspeita. Até agora, o máximo de resultado foi reduzir a inflação, justamente, como consequência da brutal recessão. Já o desemprego aumentou cerca de 30% em relação ao que era no final do governo Dilma. As medidas adotadas pelo governo aprofundam a recessão, as reformas terão como consequência maior desigualdade e a desconstrução de uma rede de proteção social quando a população mais precisa. O resultado será mais miséria e desespero para o povo.

Ao não vislumbrar uma recuperação econômica até o final de 2018 e retirar direitos como nunca se viu na história do país, Temer deve passar para a história como uma grande tragédia na vida do povo brasileiro, algo para ser esquecido, mas suas medidas até agora e as reformas se forem aprovadas insistirão em fazer o povo lembrar, de forma negativa, é óbvio, do seu governo.

Com uma avaliação de ruim/péssimo em 61% e um índice de aprovação de míseros 9%, Temer mantém a duras penas maioria no Congresso lançando mão de todo tipo de barganha. 20 dos seus 28 ministros vieram do parlamento. Os ministérios foram aparelhados sem dó nem piedade, justamente uma das maiores críticas recebidas pelo governo anterior. O caso da FUNAI é exemplar de um órgão que foi completamente distorcido de sua função, que sofreu cortes e pressão para aparelhamento ainda maior. O loteamento de cargos e fisiologismo típico do PMDB e da base aliada faz com que o governo seja a cara do atraso, em praticamente, todas as áreas. O anacronismo não está só num ministério praticamente masculino, branco e de homens ricos, mas na relação nada republicana desses senhores com o bem público e a democracia.

Além de retirar direitos e aplicar uma política econômica recessiva o governo Temer é notoriamente corrupto. Oito ministros citados na Lava Jato, quase uma centena de parlamentares da base governista envolvidos em esquemas de corrupção, o próprio presidente citado em inúmeros esquemas, o mais escândaloso, a reunião em SP com executivos da Odebrecht ao lado de Cunha para abençoar um acordo que rendeu 40 milhões de dólares para o PMDB. Essa relação direta com a corrupção não passa despercebida para a população brasileira, ainda segundo o DataFolha, 73% consideram que Temer está envolvido no escândalo que atingiu em cheio PMDB e PSDB.

Com a impopularidade de Temer e a resistência popular às reformas, ganha mais ênfase o lado truculento de Temer e de seus aliados, aumentam as tentativas de criminalizar os movimentos sociais e de impedir que a população proteste, como o cerco ao Congresso Nacional. A dura reação à Greve Geral que parou o país no dia 28 de abril mostram a disposição do governo de endurecer a repressão para assegurar a aprovação de sua política.

O resultado de 1 ano de governo dão conta das duras consequências que virão pela frente. O verdadeiro desmonte da nação apontam apenas para um caminho, o da resistência. É preciso, mais do que nunca, o povo na rua para derrotar as perversas reformas de Temer. O povo brasileiro não merece e não aguenta mais um ano de governo do golpista, continua na ordem do dia o Fora Temer!