Usina não! Alerta contra plano de construção de termoelétrica em Peruíbe

Ao nosso mandato foi solicitado apoio a uma luta que está ganhando muita força no litoral paulista, contra os planos da Gastrading Comercializadora de Energias de construir uma termoelétrica e um gasoduto em plena área urbana na Baixada Santista. Não poderíamos nos abster nessa luta. O empreendimento afetaria importantes áreas de conservação da Mata Atlântica, não apenas em Peruíbe, onde a usina seria instalada, mas também nos arredores, em Guarujá, Cubatão, Bertioga, Iguape e Cananeia. Estamos falando aqui de uma ameaça a áreas da Jureia e a diversas comunidades caiçaras e indígenas, que se concentram em Peruíbe, Mongaguá e Itanhaém.
Tomamos conhecimento de que o vice-governador Marcio França apoia essa barbaridade, e com isso tem permitido um aceleramento no processo de licenciamento. Sem dúvida há muito dinheiro em jogo. Como se trata de uma empresa privada, o lucro se concentrará nas mãos de poucos, sem atender às necessidades da população local. Tem se falado muito na geração de empregos, mas o discurso fácil dos tempos de crise omite que Peruíbe tem vocação turística, que ficará comprometida com a implantação de uma usina que desfigurará a paisagem, além do impacto sobre a atividade pesqueira. Os empregos temporários das obras não chegarão nem perto de compensar pela poluição das águas e a expulsão de moradores de suas casas. Como se não bastasse, há também risco de explosões no gasoduto e de chuva ácida.
Estão ocorrendo audiências públicas, sendo que nossa assessoria já participou de uma, na ALESP, mas estas ocorrem sempre em horários pouco acessíveis à população interessada e em ritmo acelerado, antes que se possa reunir os devidos relatórios e documentos. O Ministério Público Federal suspeitou da celeridade do processo e começou a investigar. É importante ressaltar que o Ibama já deu um parecer contrário. Há um imbróglio aí, pois a rigor o processo de licenciamento deveria ter sido conduzido pelo Ibama, mas a responsabilidade foi passada para a Cetesb. Há que se esclarecer o motivo de tal transferência de um órgão de esfera federal para estadual, preocupante devido a uma possível influência de Marcio França nessa movimentação.
Em vez de se construírem usinas privadas que causam grande impacto social e ambiental, temos de defender a Eletrobras, porque a distribuição de energia é questão estratégica que deve estar sob os cuidados do Estado, com o devido controle, colocando os interesses da população e a proteção ambiental acima do lucro. E, onde for realmente necessário ampliar a rede, a prioridade deve ser sempre pelas fontes renováveis, promovendo a energia limpa.
O povo vem se manifestando com contundência nas ruas contra o projeto da usina termoelétrica. Cabe lembrar que em 2007, Eike Batista quis construir um porto em Peruíbe, mas foi derrotado pela atuação de ativistas, caiçaras e indígenas, tal como estão agora enfrentando a Gastrading. Nós vimos de perto a disposição desses bravos lutadores. É com confiança na vitória que nos somamos a eles para lutar contra essa grave ameaça ambiental e social. Usina Não!