Foto: Juca Rodrigues /Fotoarena/Folhapress

No último sábado, em São Paulo, a Casa das Caldeiras – espaço usado para atividades culturais, recebeu a Conferência Cidadã da Plataforma Vamos! Milhares e milhares de ativistas, movimentos sociais, mulheres, negros, indígenas, jovens, artistas e intelectuais se reuniram para expressar a vontade de transformar a nossa realidade.

Foi um evento empolgante pela vitalidade e potência. O encontro foi aberto por Caetano Veloso. Ao longo das falas, vídeos e intervenções, outros artistas se apresentaram: Ferréz, Maria Gadu, atrizes e atores.

A presença do movimento indígena foi uma das grandes marcas. Com falas e cantos, fez-se a resistência dos povos originários dessa terra. Não por outra razão, a Sônia Guajajara, hoje a principal liderança indígena do país, foi tão saudada!

A confluência entre programa político, síntese dos vários encontros da Plataforma Vamos, da participação entusiasmada da militância do PSOL e das diversas pessoas que lá estavam criou a energia em torno das pré-candidaturas de Guilherme Boulos e Sonia Guajajara pelo Partido Socialismo e Liberdade!

Oficialmente, o PSOL definirá seus candidatos na Conferência Eleitoral, a ocorrer no próximo dia dez, de acordo com resolução do Congresso do partido. Há outros nomes de enorme respeito que pleiteiam a candidatura. No entanto, a imensa maioria dos militantes do PSOL ao lado de diversos ativistas e movimentos sociais – com destaque para o MTST – desejam e irão indicar Boulos e Guajajara.

Nessa segunda-feira, Guilherme filiou-se ao partido. Deixou claro que veio para somar, incentivar o projeto de reorganização da esquerda e fazer das eleições um momento de pautar a construção de um projeto de mudança profunda do país. Sua vinda é uma grande vitória!

Nesse momento, queremos reunir aqueles e aquelas interessados em constituir um polo político capaz de impulsionar as lutas sociais e acumular forças para a transformação. A direita brasileira encontra-se pulverizada e acuada por tantas denúncias de corrupção. Ao mesmo tempo, precisamos de um projeto que não busque na conciliação dos interesses de classe seu eixo de equilíbrio. Fazer valer a democracia e os direitos do povo vai exigir enfrentamentos com os poderosos e os donos do poder.

Alguns querem taxar a luta por moradia ou o conjunto das lutas sociais de “radicais” ou “extremistas”. Nesse momento, não podemos reproduzir estigmas ou pechas que remontam aos tempos da guerra fria. Radical e extremista é a realidade brasileira, marcada pela pobreza, pela falta de oportunidades, pela violência, pela indigna desigualdade social. Queremos reverter esse quadro. Nossa luta é por justiça e igualdade.

Os donos do poder são tão gananciosos que confundem deliberadamente a reivindicação social como caso de polícia. Não querem perder seus privilégios. Não querem que a riqueza produzida pela maioria da população seja apanhada pelas mãos de quem a constrói. Esses são os herdeiros da Casa Grande. Graças a essa miséria política e moral o Brasil encontra-se aonde está.

Por mais difíceis que sejam os tempos, o sonho da mudança mora no peito de milhões de brasileiros. Queremos transformar esse sonho em luta e transformação real. O PSOL fará de tudo para organizar a ousadia em participação política. Nossa luta não começou ontem nem terminará em outubro. Mas aproveitaremos as eleições para mobilizar e politizar nossa realidade. Temos muito pela frente. Guilherme Boulos e Sônia Guajajara somarão para esse processo. Esse é o nosso desafio, então, vamos!